sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mão no Bolso

Um fabricante alemão de caixões funerários decidiu lançar uma linha especialmente desenhada para clientes homossexuais.Com decoração homoerótica no exterior e um interior luxuoso, o casal (também eles gays) esperam que o grupo de consumidores homossexual abra os cordões à bolsa e invista nesta pequena idiotice. Dizem eles que os gays continuam a ser um dos grupos de consumidores com maior poder de compra e que ainda existem poucas marcas que ofereçam produtos específicos para este target. Embora o produto seja uma boa merda, desculpem a franqueza, eles têm razão nos seus argumentos.

Estamos a assistir à explosão de conteúdos e produtos especificamente direccionados para os gays. Sejam eles videoclips com beijos entre homens, cantoras que baseiam a sua carreira nos fãs gays, séries de televisão (e consequente merchandising) com personagens homossexuais, habitações, bebidas, ginásios, hotéis, roupa, etc. etc. etc., ao ponto de me deixar nauseado. De acordo com um estudo norte-americano, o "Gay Buying Power" deverá rondar os 2 triliões de dólares em 2012. Uma fatia apetitosa para os fabricantes, em especial, numa economia frágil como a que vivemos. Além disso, explica o estudo, os gays são consumidores leais quando uma marca específica apoia a comunidade gay e promove igualdade de direitos. Sinal disso é que cada vez mais companhias da lista Fortune 500 estão a abraçar os movimentos LGBT, através da introdução de políticas não discriminatórias, apoio financeiro para organizações que promovam a igualdade, entre outras medidas.

E esta alteração de estratégia não cessará de acordo com os especialistas. Para os fabricantes, nós, os gays somos: por norma licenciados; sem filhos; com uma conta bancária recheada; optimistas quanto à recuperação económica; e estamos dispostos a adquirir produtos premium, a preços mais altos e serviços de luxo. Se por um lado, são boas notícias para a comunidade gay, já que deixamos de ser ignorados pelas marcas, por outro não sejam cegos e açambarquem tudo o que tenha um arco-íris no pacote. A maioria das marcas não pensa numa perspectiva humanista. Mas sim economicista. Para elas, eu e vocês somos apenas um cartão de débito e estão-se a cagar para os nossos direitos. 

A minha sorte, e se puder dizer isto desta forma, é que tenho gostos muito heterossexuais e as marcas dificilmente me cativarão pelo simples facto de, vindo do nada, começarem a apoiar a causa gay e a lançarem confettis. Pagar mais por um caixão pintado e com forros de seda por dentro? Debaixo de terra apodrecemos todos da mesma maneira.

10 comentários:

  1. Já dizia a minha avó: - Somos todos iguais, ao nascer, ao "mijar e cagar", ao morrer. Uns tem é mais dinheiro que outros...

    O Lobby gay é muito poderoso

    Abraço

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  2. São os chamados DINKs (double income, no kids). As empresas são espertas em aperceberem-se disso.

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  3. Mulheres, grávidas, crianças, donas de casa e gays sempre foram e serão mercados importantíssimos para as marcas. Sei que o comentário pode parecer recheado de estereótipos, mas, para o marketing, a coisa é sem rodeios. Capital é capital...

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  4. A ideia é ridícula, é verdade. :)

    No entanto, concordo com esse estereótipo do "gay" licenciado, culto e inteligente. Os gays têm, regra geral, uma inteligência e um nível de vida superiores. Regra geral!

    E, claro, são fiéis às marcas que os promovem e defendem. :)

    Lots of Love. ^^

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  5. De alguma forma, gosto de pensar no aspecto positivo...cada vez mais estamos a existir no mundo...começamos a ser "gente" o suficiente para sermos considerados público alvo...acho que é apenas mais um sinal de transformação da sociedade. :-)

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  6. Concordo inteiramente contigo, mas também não deixo de concordar com o Emanuel...contudo, não há bela sem senão, existe sempre um motivo para tudo!

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  7. Esta dos caixões para gays é das coisas mais ridículas que já vi; mas enfim, se eles o lançaram é porque esperam vendê-lo. Há gente para tudo...

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  8. Desconhecia a expressão DINK, mas é exactamente isso. Os putos são uns chupistas de dinheiro e qualquer consumidor que não tenha estes encargos, tem dinheiro de sobra para investir em produtos "supérfluos". Seja como for, até sabe bem receber uma renovada atenção. Faz-me bem ao ego.

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  9. Eu também acho isso muito bonito, mas ponho algumas dúvidas (que nem são muito fundamentadas) nesses estudos. Acho que não constituímos um grupo com um poder de compra assim tão elevado (marginalmente talvez). A parte que discorre desta cabecita é: em gays das classes média e baixa o com-out não é tão frequente como os de classe superior, o que nesses estudos os leva a declararem-se como heterossexuais. Assim, comparativamente, há mais gays (teoricamente) em classes superiores, o que dá algum enviesamento ao estudo. O fator DINK é o que contribui marginalmente, e inverte um pouco os pratos da balança.
    Anyway, a nossa equipa é sempre um nicho de mercado, e com mais ou menos poder de compra acho que temos uma ligação afectiva às marcas que nos representam ou que de alguma forma (percebemos) estimulam a aceitação, o que nos leva a fazer um esforço ou gestão financeira para adquirir esse produto. Não significa necessariamente que seja o facto de haver poder de compra, mas antes abdicar de algumas coisas para poder adquirir outras.

    [estou cansado, e posso não ter sido bem esclarededor...]

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