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segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Time is running up
Estou a uma semana de celebrar o segundo aniversário de namoro e não tenho prenda para lhe dar. Não é que o cabrão do meu namorado foi reduzindo, ao longo dos meses, as minhas possibilidades até me sobrar só uma? Senão vejamos: tinha pensado em oferecer-lhe um telemóvel há uns meses. Ele comprou um smartphone de repente, queixando-se depois de estar com falta de dinheiro. Ia sugerindo roupa e fui prontamente proibido. "Sou picuinhas", diz-me. O perfume escolheu, pediu para comprar numa das minhas viagens e agora quer dar-me o dinheiro por ele. Não há cá confianças. Bilhetes para peças, espectáculos e afins não vale a pena porque como moramos longe um do outro, é para esquecer. Como se trata do aniversário do nosso segundo ano de namoro, não me atrevo a dar livros ou CDs... só se for para levar com eles na mona. E assim estou... reduzido ao famigerado anel, a única prenda que ele me pede. Preciso de uma ideia de génio... e rapidamente, senão na próxima semana tenho uma anilha. HELPPPP
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
"Nem te reconheci"
Sinceramente era uma questão de tempo. A um mês de completar dois anos com o meu Luís, hoje ele conheceu um lado meu menos "friendly" do que está habituado. Stressado com o trabalho e falta de tempo para despachar artigos e fechar a edição, ando um pouco nervoso e o filtro do "socialmente" correcto desvanece por completo nestes casos. Sou uma pessoa bastante amigável. Aliás, diria que é impossível não gostarem de mim, até logo na fase das primeiras impressões. Eu esforço-me para que assim seja, mesmo que me esteja a cagar para a pessoa à minha frente.
Hoje, completamente assoberbado de trabalho, o meu namorado liga-me. Eu lamento-me dizendo que este fim de semana, possivelmente, não estaremos juntos porque tenho demasiado para fazer. Ao que ele responde. "É para aprenderes a não amontoar trabalho". Pronto. Foi o que bastou para que eu levantasse o tom de voz e começasse a cuspir merda a torto e a direito durante uma pequena eternidade. O pior é que ele nem me estava a acusar de nada... disse-me que estava a brincar. Não percebi e acabei por despejar na pessoa errada. Pela primeira vez nele.
Custou-me pedir desculpa. É um problema que tenho. As sílabas ficam presas e sinto-me sempre um pouco mais fraco quando o faço. Reconheço que é um problema mas também acredito que tenho vindo a melhorar com o passar dos anos. O Luís tem sido uma óptima influência neste campo. Gosto de pensar que nos completamos. Ele tem, de longe, um melhor coração do que eu.
No final da tarde voltamos a falar. Voltei a pedir desculpa (sem no entanto o verbalizar) pela minha explosão. E ouvi um "Nem te reconheci". Já há três anos que não ouvia isto. Perguntei-lhe como é que o tinha feito sentir? Perguntei-lhe que, agora que conhece o lado pior do meu feitio, se me amava um pouco menos? Perguntei-lhe se tinha força para estar ao meu lado e aturar o que normalmente os outros aturam? E ouvi um "Sim. Para sempre..."
"Sabes que te amo", disse-lhe. Ao que ele respondeu: "...e se voltares a armar-te em parvo comigo, levas uma nalgada".
.Gosto.
Hoje, completamente assoberbado de trabalho, o meu namorado liga-me. Eu lamento-me dizendo que este fim de semana, possivelmente, não estaremos juntos porque tenho demasiado para fazer. Ao que ele responde. "É para aprenderes a não amontoar trabalho". Pronto. Foi o que bastou para que eu levantasse o tom de voz e começasse a cuspir merda a torto e a direito durante uma pequena eternidade. O pior é que ele nem me estava a acusar de nada... disse-me que estava a brincar. Não percebi e acabei por despejar na pessoa errada. Pela primeira vez nele.
Custou-me pedir desculpa. É um problema que tenho. As sílabas ficam presas e sinto-me sempre um pouco mais fraco quando o faço. Reconheço que é um problema mas também acredito que tenho vindo a melhorar com o passar dos anos. O Luís tem sido uma óptima influência neste campo. Gosto de pensar que nos completamos. Ele tem, de longe, um melhor coração do que eu.
No final da tarde voltamos a falar. Voltei a pedir desculpa (sem no entanto o verbalizar) pela minha explosão. E ouvi um "Nem te reconheci". Já há três anos que não ouvia isto. Perguntei-lhe como é que o tinha feito sentir? Perguntei-lhe que, agora que conhece o lado pior do meu feitio, se me amava um pouco menos? Perguntei-lhe se tinha força para estar ao meu lado e aturar o que normalmente os outros aturam? E ouvi um "Sim. Para sempre..."
"Sabes que te amo", disse-lhe. Ao que ele respondeu: "...e se voltares a armar-te em parvo comigo, levas uma nalgada".
.Gosto.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Ser ecológico na cama?
A escritora norte-americana Stefanie Iris Weiss condensou todas as dicas para um sexo mais ecológico no livro "Eco-Sex: Go Green Between the Sheets" ("Eco-Sex: Seja Verde Entre os Lençóis"). Uma obra que conta já com o carimbo da Greenpeace. Entre os vários conselhos deixados pela autora, que entretanto já confessou que os experimentou todos, encontram-se:
- Usar roupa íntima feita de algodão.
- Só comprar camas de madeira certificada como não-prejudicial para o meio-ambiente.
- Fazer sexo sem luz ou com pouca luz.
- Se usar brinquedos eróticos com pilhas, utilizar as recarregáveis.
- Usar lubrificantes à base de água e não à base de petróleo.
- Comprar preservativos biodegradáveis.
- Tomar banho juntos para economizar água.
E chego facilmente à conclusão de que o sexo, no meu caso, é tudo menos verde. Se entrar na banheira com o meu namorado, perdem-se à vontade uns valentes litros de água. Primeiro porque não me contenho. Segundo, porque não gosto de ficar em banho-maria ou a apanhar frio. Terceiro, porque rapidinhas para mim são um amuse-bouche. Só abrem o apetite.
A minha roupa interior, confesso, nem sei que tipo de material é feita. A cama... who cares. Depois claro, o problema da luz: porque razão haveria eu de não o querer ver? Sexo no escuro é sempre uma aventura e a coordenação (ou falta dela) por vezes resulta numa valente joelhada. Agora lubrificantes à base de água já uso e quanto aos preservativos... não custa nada comprar os certos.Embora seja cada vez mais raro usa-los. É o que dá ter uma relação estável.
Por fim os brinquedos sexuais. Muito se poderia dizer sobre os dildos e as pilhas recarregáveis e tal mas... não serei eu. Como orgulhoso carnívoro que sou, mantenho-me fiel à carne. A um bom naco de carne diga-se de passagem.
- Usar roupa íntima feita de algodão.
- Só comprar camas de madeira certificada como não-prejudicial para o meio-ambiente.
- Fazer sexo sem luz ou com pouca luz.
- Se usar brinquedos eróticos com pilhas, utilizar as recarregáveis.
- Usar lubrificantes à base de água e não à base de petróleo.
- Comprar preservativos biodegradáveis.
- Tomar banho juntos para economizar água.
E chego facilmente à conclusão de que o sexo, no meu caso, é tudo menos verde. Se entrar na banheira com o meu namorado, perdem-se à vontade uns valentes litros de água. Primeiro porque não me contenho. Segundo, porque não gosto de ficar em banho-maria ou a apanhar frio. Terceiro, porque rapidinhas para mim são um amuse-bouche. Só abrem o apetite.
A minha roupa interior, confesso, nem sei que tipo de material é feita. A cama... who cares. Depois claro, o problema da luz: porque razão haveria eu de não o querer ver? Sexo no escuro é sempre uma aventura e a coordenação (ou falta dela) por vezes resulta numa valente joelhada. Agora lubrificantes à base de água já uso e quanto aos preservativos... não custa nada comprar os certos.Embora seja cada vez mais raro usa-los. É o que dá ter uma relação estável.
Por fim os brinquedos sexuais. Muito se poderia dizer sobre os dildos e as pilhas recarregáveis e tal mas... não serei eu. Como orgulhoso carnívoro que sou, mantenho-me fiel à carne. A um bom naco de carne diga-se de passagem.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
minha droga diária
Uma semana de merda com tendência para piorar. Um patrão que abala para o estrangeiro, incapaz de tomar decisões e que não responde a e-mails. Farto de tapar os buracos dos idiotas dos meus comerciais que não percebem peva do que estão a vender. Enquanto faço de servente, não adianto o que realmente é da minha responsabilidade e depois sou chamado de preguiçoso. Almoço cigarros, poupo nas horas de sono, escavo olheiras e as entradas do meu cabelo acentuam-se. Incompetências que só me dão azia e vontade de começar a cuspir merda para cima daqueles imbecis.
E no final da tarde, quando o meu namorado me telefona e pergunta como o dia correu... tudo fica relativizado. Incrível como, passado tanto tempo, a voz dele continua a acalmar a minha ansiedade com um simples "Olá Lindo. Como foi o dia?". Não sei se é do tom mas basta-me ouvi-lo para fazer o reset ao sistema, como se de um analgésico se tratasse. Sempre foi assim. Mesmo ainda no tempo em que me chamava pelo nome próprio. O trabalho torna-se apenas no que realmente é: trabalho. Os idiotas dos meus colegas voltam a ser-me indiferentes. E lembro-me que o importante da vida encontra-se fora daquele escritório. Mais precisamente a 267 km pela A1.
"Nada de especial. E tu como estás?"- respondo eu.
E no final da tarde, quando o meu namorado me telefona e pergunta como o dia correu... tudo fica relativizado. Incrível como, passado tanto tempo, a voz dele continua a acalmar a minha ansiedade com um simples "Olá Lindo. Como foi o dia?". Não sei se é do tom mas basta-me ouvi-lo para fazer o reset ao sistema, como se de um analgésico se tratasse. Sempre foi assim. Mesmo ainda no tempo em que me chamava pelo nome próprio. O trabalho torna-se apenas no que realmente é: trabalho. Os idiotas dos meus colegas voltam a ser-me indiferentes. E lembro-me que o importante da vida encontra-se fora daquele escritório. Mais precisamente a 267 km pela A1.
"Nada de especial. E tu como estás?"- respondo eu.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Futurologia
Noite. A noite tem de estar escura como os meus pulmões. O céu limpo mas não faço questão. Pode estar nevoeiro, de chuva ou simplesmente adormecida. E silêncio. Quero ouvir os meus pensamentos e o cigarro a morrer lentamente pousado no cinzeiro. A sala, semi-iluminada, denunciará os contornos de toda a mobília. Entre ela, a máquina de escrever, orgulhosa no seu local de destaque, que entretanto terei comprado. Música, sem dúvida, não abdico da música. Será com ela que quero partilhar o meu descanso. Nem tenho o hábito de ver televisão. Um jazz melancólico ou uma bossa nova. Não preciso de mais. Talvez um livro, grosso, sobre a alma humana ou mesmo uma biografia.... de alguém já morto de preferência. Na outra mão, o meu martini ou um copo de vinho tinto. Sim, será um belo início de noite, quando me tiver finalmente mudado para a minha casa. O mais tardar, espero, no espaço de um ano. Só não sei como o conseguirei fazer se o meu namorado estiver ao lado, com a TV Guia debaixo do rabo, e a rir com o "Aqui não há quem Viva". Temos de ter uma conversa séria sobre isto do "vamos viver felizes para sempre".
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Pedido de Casamento nº. 19487
SMS dele, a partir do Santuário de Fátima:
... felizmente ainda não descobriu o voodoo.
"Acendi uma velinha por ti...
para ver se casas comigo e ficas comigo para sempre"
... felizmente ainda não descobriu o voodoo.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo...
Distância é fodida. Acho que o Psi e o Pinguim, que estão muito piores do que eu, podem confirma-lo. Um relacionamento que começa logo com este handicap tem praticamente morte anunciada e poucos são os que lhe resistem. Mas também vos digo: mesmo sem conhecer o Pinguim e o Psi, e os seus respectivos parceiros, não tenho dúvidas nenhumas do amor que os une. E ainda arrisco um pouco mais: tenho a certeza de que se trata de um amor muito mais forte, quiçá perfeito, do que alguns relacionamentos de bairro.
A distância tem uma clara vantagem: separa o trigo damerda joio. Qualquer relacionamento que não aguente a ausência de uma, duas ou mais semanas não vale a pena o investimento. Há por ai muito "amor verdadeiro" que morria logo se passasse por uma provação destas. Se calhar até era um favor que lhe faziam. Pensem nos vossos casos pessoais ou de alguém do vosso círculo: aguentariam tanto tempo sem a presença física do outro?
A distância afina a relação e, sem o contacto físico, obriga os envolvidos de encontrarem formas de manter o sentimento vivo. Outros factores também entram na equação: por um lado, a confiança e o respeito têm de ser totais e cegos. Pensar que tudo vai correr bem e melhorar, também ajuda. Por outro lado, o controlo sobre a rotina do outro é nulo. Como lidar então com a impossibilidade de se não poder controlar a individualidade do amado? Sim, porque a rotina de alguém que seja parte de um relacionamento à distância segue praticamente inalterada. Espaço próprio é por acaso algo que eu prezo muito. Quantos de vocês se podem gabar do mesmo? E os ciúmes? Como evita-los? Voltamos ao respeito e confiança, dois valores imprescindíveis a qualquer relação. Seja ela separada por cinco minutos de carro ou por uma viagem de avião.
Se me perguntasses há dois anos se eu acreditava em relacionamentos à distância eu diria que não e chamava-te otário. Mas também te garanto que nunca me senti tão confortável numa relação como a que tenho hoje. Confiança e respeito são absolutos. Tenho a certeza de que não receberei um belo par de cornos. E não me venhas com "fia-te na virgem e não corras" que se há coisa que não sou é parvo. Tenho tempo para mim (ok, tenho tempo até demais) e ao longo destes quase dois anos só discuti uma vez com o meu namorado: foi sobre quem ia comprar lubrificante à farmácia... ele tinha vergonha e eu irritei-me. De resto, é muita saudade e quando estamos juntos passo o tempo genuinamente feliz.
Só há um pequeno senão: neste momento estou com o cio.
Agora só daqui a três semanas... e com sorte. snif.
A distância tem uma clara vantagem: separa o trigo da
A distância afina a relação e, sem o contacto físico, obriga os envolvidos de encontrarem formas de manter o sentimento vivo. Outros factores também entram na equação: por um lado, a confiança e o respeito têm de ser totais e cegos. Pensar que tudo vai correr bem e melhorar, também ajuda. Por outro lado, o controlo sobre a rotina do outro é nulo. Como lidar então com a impossibilidade de se não poder controlar a individualidade do amado? Sim, porque a rotina de alguém que seja parte de um relacionamento à distância segue praticamente inalterada. Espaço próprio é por acaso algo que eu prezo muito. Quantos de vocês se podem gabar do mesmo? E os ciúmes? Como evita-los? Voltamos ao respeito e confiança, dois valores imprescindíveis a qualquer relação. Seja ela separada por cinco minutos de carro ou por uma viagem de avião.
Se me perguntasses há dois anos se eu acreditava em relacionamentos à distância eu diria que não e chamava-te otário. Mas também te garanto que nunca me senti tão confortável numa relação como a que tenho hoje. Confiança e respeito são absolutos. Tenho a certeza de que não receberei um belo par de cornos. E não me venhas com "fia-te na virgem e não corras" que se há coisa que não sou é parvo. Tenho tempo para mim (ok, tenho tempo até demais) e ao longo destes quase dois anos só discuti uma vez com o meu namorado: foi sobre quem ia comprar lubrificante à farmácia... ele tinha vergonha e eu irritei-me. De resto, é muita saudade e quando estamos juntos passo o tempo genuinamente feliz.
Só há um pequeno senão: neste momento estou com o cio.
Agora só daqui a três semanas... e com sorte. snif.
"A distância faz ao amor aquilo que o vento faz ao fogo:
apaga o pequeno, inflama o grande"
de Roger Bussy-Rabutin
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Esqueletos no armário?
Estava aqui a ver o "Moment Of Truth" na SIC Radical (que atire a primeira pedra quem nunca viu) e o concorrente confessou que tinha tido um relacionamento amoroso com um transsexual, antes de conhecer e casar com a sua actual mulher. A senhora, mui chocada, chorou. Já não fez o mesmo quando ele admitiu que já a tinha traído. Pimba, 100 mil dólares e foram todos contentes para casa.
Agora aqui pergunto: porque é que o passado amoroso interessa assim tanto? O meu Trengo (leia-se namorado) já me perguntou por diversas vezes quem foram os meus interesses amorosos? com quem pinoquei e de que forma? quem foi especial? de quem sinto saudades? que rotinas tínhamos? And so on. E eu evito sempre responder. Só costumo falar de uma rapariga com quem partilhei quatro anos da minha vida. Bem, pode não parecer muito mas como só tenho 29 anos, ela representou 13,8% da minha existência. Sim, fiz as contas. Go check.
Ele por norma fica ofendido, como se eu tivesse algo a esconder. Mas a verdade é que não tenho nenhum passado obscuro de Don Juan de discotecas, de frequentar pinhais de braguilha aberta ou de romances em casas-de-banho públicas. Sou até bastante insosso nesse campo mas, claro, tenho o meu passado e para grande pena dele já estava conspurcado quando o conheci. Agora, apenas penso que partilhar as memórias, sejam elas boas ou más, em nada iriam fortalecer a nossa relação. Muito pelo contrário: acho até que pode vir a prejudica-la, mina-la de ciúmes infundados e serem usadas como arma-de-arremesso.
É certo que os relacionamentos antigos construíram o que sou. Não nego que o Homem (reparam no H maiúsculo? é o ego que tenho) que ele conhece é fruto de uma aprendizagem, de tentativas/erros que me conduziram ao ponto em que me encontro hoje. Afinal, não é apenas o presente que interessa? Não poderá a curiosidade matar o gato?
Agora aqui pergunto: porque é que o passado amoroso interessa assim tanto? O meu Trengo (leia-se namorado) já me perguntou por diversas vezes quem foram os meus interesses amorosos? com quem pinoquei e de que forma? quem foi especial? de quem sinto saudades? que rotinas tínhamos? And so on. E eu evito sempre responder. Só costumo falar de uma rapariga com quem partilhei quatro anos da minha vida. Bem, pode não parecer muito mas como só tenho 29 anos, ela representou 13,8% da minha existência. Sim, fiz as contas. Go check.
Ele por norma fica ofendido, como se eu tivesse algo a esconder. Mas a verdade é que não tenho nenhum passado obscuro de Don Juan de discotecas, de frequentar pinhais de braguilha aberta ou de romances em casas-de-banho públicas. Sou até bastante insosso nesse campo mas, claro, tenho o meu passado e para grande pena dele já estava conspurcado quando o conheci. Agora, apenas penso que partilhar as memórias, sejam elas boas ou más, em nada iriam fortalecer a nossa relação. Muito pelo contrário: acho até que pode vir a prejudica-la, mina-la de ciúmes infundados e serem usadas como arma-de-arremesso.
É certo que os relacionamentos antigos construíram o que sou. Não nego que o Homem (reparam no H maiúsculo? é o ego que tenho) que ele conhece é fruto de uma aprendizagem, de tentativas/erros que me conduziram ao ponto em que me encontro hoje. Afinal, não é apenas o presente que interessa? Não poderá a curiosidade matar o gato?
domingo, 29 de agosto de 2010
Sleeping in my car
domingo, 22 de agosto de 2010
Compatibilidades
Nunca o escondi: quando o conheci disse-lhe logo que não era o meu tipo de homem e que estava wayyyyy out of his league. De tez pálida, abrutalhado, uma barriga que ainda hoje me tira do sério e apenas com 22 anos, julgava que não teriamos futuro nenhum. Ele insistia, insistia e fui eu que acabei por pedir-lhe um beijo. Cedi, na altura, talvez não pelas melhores razões. Tinha um caso amoroso mal resolvido e pensei que com um novo brinquedo enterrava finalmente o desamor que me atormentava há vários meses. E acho que funcionou. Paz à sua alma.
Mas sempre fui sincero. Pedi-lhe para ter os pés bem assentes na terra para não apanhar uma desilusão comigo... Que seria o mais certo. Ele aceitou as condições. As semanas foram passando e ele minava as minhas defesas com meiguice, atenção e sinceridade. Passado três meses, dei por mim a verbalizar que o amava. Ele não me retribuiu mas mais tarde confessou-me que já me amava desde o primeiro dia.
Passado quase dois anos, de volta e meia, é ele que diz "Não és o meu tipo de homem". E o cabrão ri-se que nem um perdido, pedindo de seguida um anel de noivado e filhos. Vejo-me obrigado a tirar-lhe o sorriso da cara e aconselhar-lo que devia preocupar-se com o presente porque, por este andar, nem chegaria a 2011.
É um problema que tenho. Não consigo pensar a longo termo. Nunca o fiz, muito menos em termos de compromissos. Para já, basta-me as pequenas coisas. É que eu ressono. E ele tem o sono pesado. Perfect.
Mas sempre fui sincero. Pedi-lhe para ter os pés bem assentes na terra para não apanhar uma desilusão comigo... Que seria o mais certo. Ele aceitou as condições. As semanas foram passando e ele minava as minhas defesas com meiguice, atenção e sinceridade. Passado três meses, dei por mim a verbalizar que o amava. Ele não me retribuiu mas mais tarde confessou-me que já me amava desde o primeiro dia.
Passado quase dois anos, de volta e meia, é ele que diz "Não és o meu tipo de homem". E o cabrão ri-se que nem um perdido, pedindo de seguida um anel de noivado e filhos. Vejo-me obrigado a tirar-lhe o sorriso da cara e aconselhar-lo que devia preocupar-se com o presente porque, por este andar, nem chegaria a 2011.
É um problema que tenho. Não consigo pensar a longo termo. Nunca o fiz, muito menos em termos de compromissos. Para já, basta-me as pequenas coisas. É que eu ressono. E ele tem o sono pesado. Perfect.
domingo, 15 de agosto de 2010
Oh Puta, deita-te
Desculpas aos leitores mais sensíveis e defensores da boa etiqueta online. O palavrão serviu apenas para captar a vossa atenção e introduzir o primeiro resumo do que foram os meus últimos meses.
A primeira vez que ouvi tão eloquente expressão foi durante uma mini-discussão com o meu namorado. Como gosto de o desafiar verbalmente, e sendo ele mais abrutalhado do que eu, calou-me com esta. Levei a peito, pois claro! Não que tenha algo contra tão honrosa profissão que alivia tantos homens do stress diário. O problema é que eu nunca lhe tinha cobrado por sexo e achei injusto ter só a fama.
Hoje, claro, a história é diferente. Habituei-me aos dizeres nortenhos. Celebrámos 1 ano e oito meses, e é normal levar com um "encasinado", "está a tenda armada", "anda na palha", "porca nas couves" ou "roupa no estendal" durante um qualquer relato da rotina. E já não soam assim tão a estranho. Para quem não seja do norte, poderá estar a perguntar-se o que raio significa cada uma delas. Demorei a chegar lá mas, pelo que percebi, a gíria a norte do Tejo só tem duas definições possíveis: "está tudo fodido" ou "estou fodido". Decorado?
A primeira vez que ouvi tão eloquente expressão foi durante uma mini-discussão com o meu namorado. Como gosto de o desafiar verbalmente, e sendo ele mais abrutalhado do que eu, calou-me com esta. Levei a peito, pois claro! Não que tenha algo contra tão honrosa profissão que alivia tantos homens do stress diário. O problema é que eu nunca lhe tinha cobrado por sexo e achei injusto ter só a fama.
Hoje, claro, a história é diferente. Habituei-me aos dizeres nortenhos. Celebrámos 1 ano e oito meses, e é normal levar com um "encasinado", "está a tenda armada", "anda na palha", "porca nas couves" ou "roupa no estendal" durante um qualquer relato da rotina. E já não soam assim tão a estranho. Para quem não seja do norte, poderá estar a perguntar-se o que raio significa cada uma delas. Demorei a chegar lá mas, pelo que percebi, a gíria a norte do Tejo só tem duas definições possíveis: "está tudo fodido" ou "estou fodido". Decorado?
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