segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Amor a ritmos desiguais

Uma colega saiu de casa do namorado, com quem partilhava uma relação de amor há dez anos. Embora ainda desconheça as razões que levaram à separação, ao estado de dor profunda com que a encontrei hoje, sei que ela o amava. Ela queria casar. Queria uma vida ao lado dele e até pensava engravidar no próximo ano. Ele, um sujeito seguro de si, bem parecido e formado, evitava dar qualquer passo neste sentido. Durante o fim-de-semana, ao que parece, chegaram a um "acordo". Assim não dá mais.

Já outra amiga teve uma conversa com o seu amigo colorido. Quero ser mais do que uma foda, terá dito. Ele, lamentou, e disse-lhe na cara que era uma mulher espectacular. Mas não dá. Que realmente estava à procura de alguém com quem assumir um compromisso, mas que não era ela. Que a minha colega quando iniciou este "jogo" conhecia as regras. Ela sabia. Aliás, disse-me que decidiu arriscar porque existia a possibilidade de ele se apaixonar. Infelizmente não aconteceu . Deu-se mal e chegou à conclusão inevitável: assim não dá.

Embora vos tenha dado situações bem diferentes uma da outra, as minhas amigas têm em comum mais do que imaginam. Uma queria casar e ter filhos. O namorado não. A outra estava apaixonada. O fuck buddy não. No fundo, viviam a relação a ritmos desiguais dos companheiros. E esta é, no meu ponto de vista, a principal razão que encontro para a morte de tantos relacionamentos. O problema reside em coincidir as expectativas com as vontades. Ainda para mais com vontades de outros, que não temos forma de controlar. O problema reside em viver o relacionamento ao mesmo compasso de quem nos acompanha.Mas será que existe sequer alguém que ame e viva no mesmo ritmo do que nós? Ou será mais alguém que decida, por amor, atrasar/adiantar o compasso?

domingo, 28 de novembro de 2010

Apple remove aplicação anti-gay

Ainda sem uma posição oficial por parte da Apple, e que não deverá acontecer, a empresa removeu a aplicação para iPhone anti-gay, que provocou a polémica junto da comunidade LGBT. A app em causa é a Manhattan Declaration e, sem qualquer explicação, ela cessou de estar disponível. Penso mesmo que não será necessário um comentário oficial já que a sua extinção fala por si.

E agora tenho de me retratar. No post anterior fiz duas afirmações que, já pude confirmar, não são de todo verdade. Baseei-me em alguns sites noticiosos estrangeiros aquando da escrita do post e todos confirmavam a mesma versão. Agradeço ao blogger Bosc d'Anjou pela chamada de atenção. É o que dá confiar em jornalistas que só escrevem com base na espuma dos factos e na tradução de outros sites. Cambada de parasitas, escória da sociedade, deviam morrer todos queimados =p


Factos:

1. A Apple ofereceu 100 mil dólares para lutar contra a Proposition 8, movimento que tinha como missão acabar com o direito ao Casamento Homossexual, na Califórnia. Na altura, a empresa emitiu um comunicado em que declarava: "A Apple foi uma das primeiras companhias da Califórnia a oferecer direitos e benefícios iguais aos funcionários que tinham um parceiro do mesmo sexo. Acreditamos piamente que os direitos fundamentais de uma pessoa - incluindo o direito ao casamento - não devem ser afectados pela sua orientação sexual"

2. A Apple tem um rating de 100% no Índice da Human Rights Campaign, uma das maiores organizações LGBT americanas, que anualmente avalia as grandes empresas em relação às suas políticas de funcionários LGBT. Distinção que já recebe há três anos consecutivos.

3. O Bosc d'Anjou deixou ainda uma boa sugestão. A Human Rights Campaign tem, ela própria, uma aplicação. Chama-se HRC Buying for Workplace Equality Guide e está disponível aqui. Basicamente é um guia que detalha as marcas e fabricantes que apoiam a igualdade de direitos tanto na empresa como externamente.

4. O Steve Jobs não deixa por isso de ser um perfeito idiota.

E pronto. Está feito o direito de resposta, porque este blog quer-se democrático e sem censura. E temos pena: ia falar da maratona de sexo fantástica que tive hoje, da nova posição que experimentei e mostrar fotografias, mas agora já não o vou fazer. Fica para outra altura.

PS. Este artigo foi escrito a partir de um notebook da HP.

sábado, 27 de novembro de 2010

Apple é homofóbica. What a surprise!

Não foram poucas as vezes que vi em blogs amigos do "Hammering in my Shell", e do defunto "Tartaruga com Pressa", bloggers gays a ponderarem comprar um produto Apple. Seja um iPhone ou um Mac, muitos não resistem ao design e estilo de vida perpetuado pelos produtos da Maçã. Confesso que eu, no entanto, não sou um defensor da marca. Nunca apreciei o controlo que detêm sobre o desenvolvimento dos produtos ou a pressão que imprimem sobre o consumidor. E mesmo as injustiças que cometem contra quem sempre os defendeu e comercializa Apple. Neste ponto conheço casos contados na primeira pessoa.

Os primeiros apreciadores da Apple eram toda uma franja dos consumidores anti-Microsoft. Hoje, quem não pertence a este nicho, está "out". Reconheço a qualidade dos produtos. Reconheço que os produtos conferem um determinado status social. Nem que seja apenas pelos preços exorbitantes praticados.

Mas o consumidor comum não sabe que todo o processo de criação de produtos e aplicações é 100% controlado pela Apple. Todos passam na vistoria, por processos burocráticos morosos. Por isso, não é de estranhar que a Apple volte a estar no meio da controvérsia. Recentemente, a Apple aprovou um aplicação para o iPhone que se opõe ao casamento homossexual. E escusam de dizer que foi um "deslize". Ela foi aprovada. Ponto.

A aplicação de que falo chama-se "Manhattan Declaration”, que basicamente é um questionário que pede a opinião da pessoa em relação ao casamento entre o mesmo sexo. Se a resposta não corresponder ao ponto de vista do grupo, é marcada como incorrecta. O nome da aplicação remete para uma declaração, iniciada em 2009, em que 150 importantes lideres cristãos, numa tentativa de combater esforços para marginalizar os ideias cristãs da “santidade da vida, da dignidade do casamento como união de um homem e uma mulher e de liberdade religiosa”, comprometeram-se a agir na defesa das verdades bíblicas.

Esta aplicação foi aprovada. Dizem os sites estrangeiros que aplicações como o "Google Voice" e aplicações "Flash" foram consideradas obscenas pela Apple e não estão disponíveis. Já esta passou na rigidez da selecção. E, ao que parece, a remoção da aplicação pela Apple Store está, de momento, fora de questão. E fora esta pequena controvérsia sabiam que Steve Jobs, o presidente da Apple, doou em 2008 cerca de 100 mil dólares para apoiar uma campanha contra os casamentos gays na Califórnia?

Se no outro dia chegamos à conclusão de que cada vez mais marcas apostam no mercado gay, e que esta tendência é de salutar e de apoiar, talvez seja altura de reavaliarem a vossa opinião sobre a Apple. Eu já o fiz.

PS. Este artigo foi escrito a partir de um notebook da HP. E com orgulho.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Under the Shell: Resolução

Olá, o meu nome é... Speedy e nasci em Julho. Sou, por isso, Leão de gema, com tudo o que de mau e bom acompanha este signo. Uma das minhas ex-namoradas, que namorei por volta dos meus vinte e poucos anos, teve o trabalho de pesquisar o meu ascendente. Dizia que tinha má índole, com alguma razão tenho de admitir. E lá descobriu que o meu ascendente é escorpião. O namoro acabou, curiosamente, depois da viagem de finalistas. Poucos dias antes de regressar, uma pedinte brasileira - quase bruxa - pegou-me na mão e disse-me que o meu avião de regresso a Portugal tinha o seu destino traçado: ia despenhar-se no mar. Lá fui forçado pelos meus colegas a dar-lhe dinheiro para que este futuro não acontecesse. Pudera: eles tinham bilhetes para o mesmo voo que eu. Entregou-me umas "figas" de madeira, em troca do dinheiro, que ainda hoje conservo na carteira.

Tive uma infância normal. A minha mãe inscreveu-me na catequese e, embora não me sentisse muito religoso, levei aquilo a sério, tendo completado todos os sacramentos. Era quase um desafio. Falta-me apenas o casamento religioso, a extrema unção e a Ordem, esta última referente ao ordenamento de padres. Entre os meus animais de estimação contaram-se cães e gatos, todos com um final triste. Desde a atropelamentos, envenenamento ou doenças terminais... todos acabaram por morrer miseravelmente. Peixes, uma cobra, uma formiga-leão, bichos de seda, um camaleão (capturado e mais tarde libertado no mesmo sítio)... já tive os mais estranhos. Nunca tive uma tartaruga, porque não quero.

Desde cedo que me interessei por desporto, gosto este que foi diminuindo com os anos. Fiz, por exemplo, natação durante muito tempo e ao passo que os meus amigos ganhavam peitorais e costas de nadadores, eu desenvolvi pés de pato. Hoje em dia já não faço desporto, mas tenho de regressar a qualquer actividade. A minha sorte é que nunca tive problemas de linha e sempre pude comer o que bem entendesse sem risco de engordar. Distúrbios alimentares são para os fracos.

As minhas costas também são largas, mas só se nota se eu estiver despido. Se tal acontecer, vão reparar que tenho apenas uma tatuagem nas costas. Se fizesse o piercing, a minha mãe matava-me. Diz que não percebe porque é que um "filho tão bonito quer estragar a cara". Olhos de mãe. Além de que, na minha profissão, não seria adequado.

Sou jornalista como sabem. Ainda assim, odeio praticamente tudo o que escrevo. Este texto incluído. Por falta de tempo, não posso dispensar mais de uma hora a um texto e fico sempre com a sensação de que podia ter feito melhor. E já dizia um antigo editor meu: "Não interessa se sabes escrever. O que interessa é que sejas um bom jornalista". E acho que até me vou safando bem.

Agora desculpem, que tenho de ir. Está quase a começar a nova temporada do Biggest Looser. E, logo à noite, se hoje voltar a ter insonias, sim, vou masturbar-me. Não sei se é efeito placebo, mas comigo funciona. Melhor do que comprimidos.


PS. Nas minhas dez opções havia, afinal, quatro informações erradas. Quando escrevi, não tive em conta a o Sacramento "Ordem" na opção 3. E depois já era tarde para alterar. Sendo assim, eram mentira, inicialmente, o 18 e 10, a que junto agora o 3. E lamento: não há cá prémios de consolação. 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Under the Shell

Só encontro comparação às camisas à lenhador que estão de regresso, depois de mortas e cremadas nos anos 90. Maldita hora em que as doei todas a uma associação aqui perto de casa. Enquanto eu não acompanho a moda (nem quero), os toxicodependentes nunca estiveram tão fashion. E isto porquê? Porque o Psi quer recuperar uma moda de posts em cadeia que, ao que explicou, dominaram os blogues há dois anos. O propósito do jogo é contar dez factos sobre mim, sendo que três deles são mentira. Cabe-vos descobrir. Quanto a mim, como não recuso desafios, aqui ficam mais algumas informações que guardo sob a carapaça. Confesso que tive alguma dificuldade. Ainda para mais, depois de já ter publicado algumas dados bizarros sobre mim. E sim, vou passar a batata quente. Mais propriamente ao trio da cacofonia. Se não leiam lá isto rápido: Mark, Myke, Mike.
 
1. Tenho um piercing no sobrolho
2. Adoro o Biggest Looser
3. A nível religoso, só me falta dois sacramentos: o Casamento e a Extrema Unção
4. Tive de subornar uma pedinte brasileira para que me retirasse uma "maldição"
5. Sou Leão, com ascendente em Escorpião
6. Odeio praticamente tudo o que escrevo
7. Quando tenho insónias, masturbo-me
8. Não sei nadar
9. Já tive um camaleão como animal de estimação
10. Já sofri de um distúrbio alimentar

domingo, 21 de novembro de 2010

Teoria ABC

"Abstinence, Be Faithful e Condom. É a chamada teoria ABC, defendida pelo próprio Papa Bento XVI, que provocou alguma euforia junto dos principais organismos não governamentais mundiais, alguns receios da Igreja e surpreendeu católicos um pouco por todo o mundo. Num livro a ser lançado na próxima terça-feira, que teve como base uma entrevista feita ao Papa, são abordados os principais problemas mundiais. Um deles, o flagelo da SIDA e o preservativo como método de combate à disseminação da doença.

Em conversa com o jornalista que escreveu o livro, "Light of the World: The Pope, the Church and the Signs of the Times", o Papa Bento XVI reflecte sobre o preservativo, depois da polémica viagem que fez a África. Nos excertos publicados pelo jornal oficial do Vaticano, "L'Osservatore Romano", é publicada a resposta completa do Papa. Mas eu, preguiçoso, recorro à tradução da Renascença:

"Pode haver casos pontuais, justificados, como por exemplo a utilização do preservativo por um prostituto, em que a utilização do preservativo possa ser um primeiro passo para a moralização, uma primeira parcela de responsabilidade para voltar a desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. Não é, contudo, a forma apropriada para controlar o mal causado pela infecção por HIV. Essa tem, realmente, de residir na humanização da sexualidade"

Pela primeira vez, um Papa, Bento XVI, admitiu o uso do preservativo "em certos casos", "para reduzir os riscos de contaminação", o que aparenta ser uma flexibilização da postura severa da Igreja a respeito do tema. Embora reconheça que foi um grande passo, aqui o Speedy é do contra e não apreciou o exemplo dado pelo Santo Pontífice. Ele exemplificou o uso do preservativo, como último recurso, para os prostitutos masculinos. Ou seja, os homens que se prostituem e não os homens que recorrem à prostituição.

Ora, num continente onde 61% dos infectados são mulheres, com idades compreendidas entre os 15 e os 25 anos (seis vezes mais susceptíveis de contrair a doença do que os jovens do sexo masculino na mesma faixa etária) de acordo com o Banco Mundial, não creio que sejam elas, numa sociedade onde a emancipação feminina é ainda uma miragem, a contratar prostitutos masculinos para o seu bel prazer levando ao aumento dos casos de SIDA. Penso que o target imoral, que devia desenvolver uma consciência de que nem tudo é permitido, do Papa era outro... mas resta-me comprar o livro para tirar as dúvidas.

sábado, 20 de novembro de 2010

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mão no Bolso

Um fabricante alemão de caixões funerários decidiu lançar uma linha especialmente desenhada para clientes homossexuais.Com decoração homoerótica no exterior e um interior luxuoso, o casal (também eles gays) esperam que o grupo de consumidores homossexual abra os cordões à bolsa e invista nesta pequena idiotice. Dizem eles que os gays continuam a ser um dos grupos de consumidores com maior poder de compra e que ainda existem poucas marcas que ofereçam produtos específicos para este target. Embora o produto seja uma boa merda, desculpem a franqueza, eles têm razão nos seus argumentos.

Estamos a assistir à explosão de conteúdos e produtos especificamente direccionados para os gays. Sejam eles videoclips com beijos entre homens, cantoras que baseiam a sua carreira nos fãs gays, séries de televisão (e consequente merchandising) com personagens homossexuais, habitações, bebidas, ginásios, hotéis, roupa, etc. etc. etc., ao ponto de me deixar nauseado. De acordo com um estudo norte-americano, o "Gay Buying Power" deverá rondar os 2 triliões de dólares em 2012. Uma fatia apetitosa para os fabricantes, em especial, numa economia frágil como a que vivemos. Além disso, explica o estudo, os gays são consumidores leais quando uma marca específica apoia a comunidade gay e promove igualdade de direitos. Sinal disso é que cada vez mais companhias da lista Fortune 500 estão a abraçar os movimentos LGBT, através da introdução de políticas não discriminatórias, apoio financeiro para organizações que promovam a igualdade, entre outras medidas.

E esta alteração de estratégia não cessará de acordo com os especialistas. Para os fabricantes, nós, os gays somos: por norma licenciados; sem filhos; com uma conta bancária recheada; optimistas quanto à recuperação económica; e estamos dispostos a adquirir produtos premium, a preços mais altos e serviços de luxo. Se por um lado, são boas notícias para a comunidade gay, já que deixamos de ser ignorados pelas marcas, por outro não sejam cegos e açambarquem tudo o que tenha um arco-íris no pacote. A maioria das marcas não pensa numa perspectiva humanista. Mas sim economicista. Para elas, eu e vocês somos apenas um cartão de débito e estão-se a cagar para os nossos direitos. 

A minha sorte, e se puder dizer isto desta forma, é que tenho gostos muito heterossexuais e as marcas dificilmente me cativarão pelo simples facto de, vindo do nada, começarem a apoiar a causa gay e a lançarem confettis. Pagar mais por um caixão pintado e com forros de seda por dentro? Debaixo de terra apodrecemos todos da mesma maneira.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Out 100: Portugal Edition

Pois bem, apresento-vos o top nacional. E ficamos pelas cinco figuras públicas que tenham promovido a causa LGBT em 2010, já que chegar às cem é mesmo para esquecer.
E é exactamente este o período tido em consideração para esta lista: 2010. Agradeço as vossas participações, alguns nomes que avançaram, mas, na minha opinião, algumas destacaram-se em anos transactos pelo que coloquei-as de parte. Outras, conhecemos-las efectivamente em 2008 e 2009, mas tiveram desenlaces que considero dignos de nota. Sustento a escolha que fiz no contributo de cada uma delas para a aceitação dos direitos LGBT e, principalmente, pela sua influência para a mudança de mentalidades em Portugal. Sem qualquer ordem de valoração, passemos à lista.

“É um momento histórico para Portugal, principalmente no combate contra a discriminação e a injustiça que existe na sociedade portuguesa, e que esta lei corrige um erro e simplesmente encerram um sofrimento desnecessário”
Não me torçam o nariz. Seria impossível não colocar José Sócrates, líder do Partido Socialista e Primeiro-Ministro, o responsável por aprovar o casamento gay sem necessidade de referendar. Sabemos bem qual seria o desfecho. Se o fez para ganhar votos junto da comunidade LGBT? Talvez, mas penso que perdeu muitos mais por ter defendido a união entre pessoas do mesmo sexo. Não foi, certamente, uma "jogada" política sem risco, ainda para mais tendo-o feito semanas antes da visita do Papa a Portugal. Ideologias à parte, o casamento é uma realidade e foi promulgado neste Governo. Acho que o Cavaco ainda não dorme bem desde então.

"Acho que, em Portugal, as pessoas aprenderam uma coisa fundamental com a democracia: o respeito aos direitos individuais"

Tornou-se o primeiro homossexual assumido a entrar no Parlamento português, pela mão do PS e não do Bloco de Esquerda, apesar de Miguel Vale de Almeida ser um dos seus fundadores. O activista gay bateu-se, como ninguém, pela defesa do casamento homossexual e creio que, embora agora esteja um pouco afastado dos holofotes dos media, vamos sempre ouvir o seu nome quando estiverem em causa os direitos da comunidade LGBT. Foi o que aconteceu com a Lei de Identidade de Género e, mais recentemente, com o apadrinhamento de crianças. De resto, não tenho dúvidas de que estamos bem representados na Assembleia, no que toca a estes temas.

"Sabe, deve ser precisa muita coragem para ser homossexual neste país. A humilhação é diária, persistente, mesquinha. Entendo aliás que um homossexual não se queira expor"

E ainda dentro do tema do casamento homossexual, foi com muita alegria que li sobre o primeiro casamento gay a ocorrer em Portugal. Um verdadeiro exemplo de força: o casal  Helena Paixão e Teresa Pires. Quando tentaram casar pela primeira vez, receberam o "Não" sob o olhar atento da comunicação social. Corria o ano de 2006 e era um dos jornalistas presentes na sala. Comoveram-me bastante e desde então segui de perto a sua história. Ainda que me tivessem recusado dar uma entrevista.... as malvadas :). Este ano casaram. E espero que a vida deles melhore a partir de agora.

"Sou Lésbica. E então?!"

Adiciono à lista a Solange F. Sim, ela assumiu ser lésbica em 2008 mas foi este ano que a apresentadora foi mãe, segundo ela, fruto de uma inseminação artificial. Sem pudores, penso que Solange está a pagar na pele a sua frontalidade, tendo sido lentamente afastada da televisão. Seja como for, continua a falar abertamente sobre a sua sexualidade, tendo colocado o dedo na ferida quando anunciou que era lésbica e que estava grávida. Um dos próximos temas que, a meu ver,  mereceriam ser discutidos na Assembleia. Mas a seu tempo.

"O Luís fez-me uma declaração de amor no Facebook que se tornou pública e eu não tinha que ocultar uma coisa que era uma realidade. Ainda bem que ele o fez, demonstrou que os sentimentos dele também são muito fortes"
Eduardo Beauté e o manequim Luís Borges foram "forçados" a assumir publicamente a sua relação depois do modelo (tontinho) ter publicado uma mensagem no Facebook. Esqueceu-se de que os jornalistas são amigos das figuras públicas e que tudo o que é colocado no mural é analisado diariamente, à procura de histórias sumarentas. Mas a partir desse deslize, Eduardo Beauté assumiu ser gay e desde então tem falado abertamente sobre a sexualidade, principalmente às revistas das Massas. Quem sabe, desmistificando um pouco o que é amar alguém do mesmo género.


Uff, e sim, isto deu-me um trabalho valente. Mas para o ano, e se ainda estiver por aqui, farei de novo o mesmo. Mas já agora, quem na vossa opinião merecia ser destacado? E já agora, quem não?

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Out 100

Demorei eu sei, mas a minha vida não tem sido fácil. Peço desculpa, trabalhadores e estudantes, mas estou de... férias =D.
Now to business. Já saiu a lista "Out 100", na sua 16ª edição. A revista gay norte-americana apontou as cem personalidades gays e aliadas do movimento LGBT que se destacaram este ano, e fotografou-as em três encontros diferentes: no mítico Studio 54, no Stonewall Riots e no Truman Capote’s Black and White Ball. Vale a pena ver as fotos, ainda que muitas caras e nomes nos sejam estranhas. Em 2010, a capa, o spotlight da lista, honra cinco rostos que simbolizam enormes avanços na aceitação dos direitos LGBT e na mudança de mentalidades. Ricky Martin surge em destaque, uma das maiores estrelas pop a nível mundial.Segue-se Rachel Maddow, comentadora política, Johnny Weir, um patinador olímpico sui generis, Nate Berkus, um apresentador já nosso conhecido dos tempos da Oprah, e a fantástica Juliane Moore (sou louco por ruivas), estrela do filme "The Kids Are All Right" e aliada da causa LGBT.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

priceless

Passou o dia todo a questionar-me se eu iria dar-lhe o anel. Consegui convence-lo de que não. Por isso, quando ele saiu do banho ao final da noite e desafiei-o a descobrir a prenda dele que entretanto tinha escondido no quarto, corou quando encontrou a caixa das alianças. Nervoso foi incapaz de abrir o saco. Se calhar desconfiava que era mentira. Retirei-lhe das mãos e tirei lá de dentro a caixa, segurando-a sob o olhar atento dele. De repente começou aos pulos em cima da cama, qual criança. Juro-vos que nunca o tinha visto tão feliz. Começa a rir às gargalhadas para de repente suster a respiração enquanto eu abria a caixa e revelava as duas alianças de prata. Comoveu-se. Expliquei-lhe que, para mim, dar-lhe um anel era um grande passo. Não sou de promessas, tampouco compromissos. Mas também que não tinha dúvidas do que sentia. Pedi-lhe que continuasse a crescer e que me encorajasse a crescer também como Homem. Tirei o meu anel e coloquei-o. Serviu na perfeição.
Depois tentei colocar-lhe o dele. Sim, leram isso mesmo... tentei. Porque aqui o Speedy, com tanta faltinha de jeito para romantismos e detalhes, comprou um anel três tamanhos abaixo do dele. Enquanto eu me ria à gargalhada, ele não se dava por vencido. Colocou-o na mão esquerda (por norma mais pequena do que a direita) e só o voltou a tirar quando já lhe doía o dedo. Até eu guardar o anel dentro da caixa, era vê-lo a dar um beijo no anel e outro em mim. A dizer que me amava e que ao anel também. 

Hoje, tinha o dedo inchado tal foi o esforço. Enfim, já telefonei para a ourivesaria e lá para o final da semana tenho o anel certo. Ou isso, ou dou mais uns euritos e compro um relógio lindo que havia lá para mim. O que conta é a intenção certo?

Post com Hora Agendada

Por altura em que este post se auto-publica, eu não estarei aqui. Não é preciso ser bruxo para saber que estarei na cama, com o Luís, a brindar com vinho tinto ao nosso segundo aniversário.
Quem diria Sr. Speedy: uma relação estável? Bem dizem os meus amigos que sou bipolar. Uma relação de dois anos, à distância e com um homem. Uau. Até eu nem acredito. Esta relação tinha tudo para dar errado mas o Luís soube ser paciente. Poderia acusa-lo de manipulador, que me levou a dar os passos todos, mas ele não tem coração para isso. Fui eu que lhe pedi o primeiro beijo, em namoro, lhe tirei as calças pela primeira vez e que agora lhe ofereço as alianças. Sim, paciente é a palavra certa. Nunca forçou nada. Apenas prometeu, corria o ano da Graça de 2008, que nunca sairia do meu lado. E não é por menos que esta é a nossa música.


"I'm not moving". Pois, eu também não. E vocês sejam felizes.