Não sou um adepto de cinemas. De filmes sim, mas prefiro vê-los no conforto da minha casa. Mas até para estas situações tenho regras. Um bom filme não deve ser visto em grupo, caso contrário arriscamos-nos a levar com piadinhas de um qualquer amigo engraçadinho, que teima a não ficar
sogadito no seu sofá. O ideal é estar acompanhado por uma pessoa, duas no máximo, para que se possa comentar o filme, aprofundar temáticas ou até mesmo tirar dúvidas. Ou então na companhia do namorado, para nos enroscarmos.
Já para confusão vou ao cinema... que odeio. Especialmente desde que autorizaram crianças de menos de 20 anos, algumas ainda em plena idade do armário e em mudança de voz, a entrar a partir das 21h00 sem o acompanhamento de um guarda prisional. Todos com a mania que são do
ghetto, que tentam impressionar as acompanhantes
- miúdas que ainda nem queimaram a gordura de bebé - com piadas ultra-refinadas sobre o filme e gargalhando alto só para chamar a atenção. Depois as pipocas. O irritante sonido de gentinha a comer pipocas como se não tivesse jantado, que intercala o mastigar com o inspirar sôfrego de oxigénio. Por estas e outras razões, é raro eu ir ao cinema. Vou, por norma, apenas quando tenho convites à borla ou sou convidado por um amigo. Que foi o caso de ontem, para ir ver a ante-estreia do Tron Legacy.
À saída, lá estava a repórter do Sapo, à procura de corajosos para pequenas
flash interviews. Ainda tentou a sorte comigo, mas recusei cordialmente. É que para ela só tinha duas frases: "O 3D é catita de se ver. Mas até para um filme ficcionado, tem demasiadas incongruências."
Além de que, mais uma vez, a personagem gay, o Castor protagonizado pelo actor Michael Sheen, surge como um magricelas idiota, de sotaque britânico, complemente ridícula. Já não bastava ser uma cópia integral do Riddler, protagonizado por Jim Carey... Agora a questão é: quem nasceu primeiro? O Ovo ou a Galinha?