domingo, 3 de abril de 2011

para variar, num sábado à noite


Faltava uma orquestra ao vivo.
Os cenários estavam muito bem conseguidos.
Adorei o som incrível das pontas naquele palco de madeira
Amei as coreografias. Completamente arrebatadoras.
Alguma falta de sincronização.
A Julieta é uma sonsa.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

é preciso ter galo

A 2 semanas de deixar o jornalismo, recebi um direito de resposta. Parece mentira.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Nicknames

Não sou a pessoa mais romântica à face da terra, tampouco sensível, mas se existe algo que não abdico numa relação é [suspiro] dos nomes carinhosos. Pronto já o disse. E reconheço que são absolutamente pirosos mas, com o passar do tempo, desabituei-me a chama-lo pelo nome próprio. Não gosto, não soa bem, não transmite nada. Se não bastasse, ele tem um nome simples, de duas sílabas. Apenas quatro letras, duas das quais são vogais que se gastam num sopro. Aliás, só me recordo de três situações possíveis em que pronuncio o nome dele: ou estamos num sítio público, a discutir ou na cama. De resto, é "Mor", "Lindo", "Trengo" e por aí fora. Vêem? Sou um zero a inventar nomes carinhosos. Já ele, é completamente oposto. Só recorre ao "Mor" e apenas quando faz merda ou quer um favor. "Oh mor, esqueci-me de telefonar-te" ou "Passa-me o sal, mor". Diz ele que dirigir-se a mim pelo meu nome próprio é sinal de intimidade. E não o contrário, que soa a falso. Sei lá... acho que tenho mesmo demasiado tempo livre para pensar.

terça-feira, 29 de março de 2011

Third time is the charm

Depois de três reuniões, recheadas com muito cinismo e sorrisos amarelos, o troll lá fez o click e percebeu finalmente que estou mesmo de saída. Ainda me fez uma contra-proposta mas, para ser sincero, já vem tarde. Apenas mostrou-se disponível para me dar um aumento depois de perceber que me ia perder. E sim, não há ninguém insubstituível. Mas numa altura em que as empresas reduzem os quadros ao mínimo, ele não tem ninguém para fazer o meu trabalho. Para dizer a verdade, também não sei que aumento seria. Antes que o pudesse propor, eu levantei a mão e interrompi-o manifestando total desinteresse na sua retórica oca. Ele enrubesceu e eu temi pela vida.

Seguiu-se a birra. Isto porque no seu cérebro ressequido, ele julgava que ainda ia estar mais um mês na empresa, dando-lhe tempo em barda para encontrar alguém. Mas para além do português, parece que também é fraco a matemática. Os Recursos Humanos lá o informaram de que eu saio dia 14 de Abril, o que resultou num ataque de fúria, cuspidelas e insultos ao ponto de colocar a mulher em lágrimas. Como se a pobre coitada tivesse culpa.

De tarde, e já em conversa comigo, com mais hipocrisia e sorrisos torcidos, lá acordamos que a data final é dia 15. Está com sorte: é porque eu não estou disposto a perder mais tempo da minha vida a trabalhar para ele, e não abdico de nenhum carcanhol a que tenha direito.  Ou tomo um banho de roupa ou guardo para uma viagem a NY.

Mas algo me diz que isto não fica assim.
E a mulher do outro continua morta.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Breve resumo e prometo que não volto a falar nisto

Apresentei a minha demissão no mesmo dia em que a mulher de um dos meus patrões faleceu.

Curiosamente, foi também o dia em que a amante dele fez anos. Amante esta que trabalha na empresa.

Hoje a amante até levou bolo para a redacção para celebrar.
Afinal, recebeu a prenda que ansiava faz anos, disseram as más línguas.

A minha entrega da demissão surgiu depois de eu ter dito em voz alta que dava dinheiro "para comprar flores para a velha". Mal sabia eu que estavam a falar de uma coroa de flores para a defunta, e não para a aniversariante.

Curiosamente, não fui o único a pedir demissão. Um colega - daqueles que apetece pontapear nos dentes - fez o mesmo na semana passada.

O meu patrão ainda não acredita que eu me quero ir embora. Ou melhor: tem um grave problema se eu for. Pensa que estou a brincar e não aceitou o envelope. Juro que está a ser mais complicado do que terminar uma relação amorosa.

Entreguei a demissão nos Recursos Humanos.

domingo, 27 de março de 2011

Carta de Despedida

Querido Patrão,

Engraçado como o tempo passou a correr. A brincar, a brincar foram quase quatro anos que trabalhei para si. Lembra-se de quando nos conhecemos? Julguei-o mal, tenho de admitir. Sabemos bem que as aparências iludem mas você surpreendeu-me bastante. Pareceu-me uma pessoa sensata, trabalhadora e capaz. As semanas foram passando e, invés de um patrão respeitável, acabei por perceber que você era extremamente mal formado. Afinal, só herdou esta empresa porque o seu irmão faleceu. Não tem mérito nenhum no que existe hoje, tem de admitir. E se o seu irmão não morresse, hoje você não seria nada.

Vá patrãozinho, não veja a minha saída como uma traição. Não lhe desejo mal. Já você nem o bom dia me desejava de manhã. Deve ser por medo de parecer fraco. Desejar o bom dia aos funcionários, onde já se viu.  Sempre era melhor ignorar.

E as nossas conversas? Lembra-se de como se entusiasmava por pensar que me estava a ensinar alguma coisa? Lamento, foi tudo encenação. Você metia-me até um pouco de nojo porque só me conseguia focar na verruga que tem no pescoço. Juro que até ela bocejava durante as nossas reuniões.E essa mania de fumar em locais fechados (e proibidos) tem de terminar chefinho. Além do mau-cheiro que fica, é bem bom para cancros pulmonares.

Ah, mas tenho de reconhecer que foi o primeiro que me deu uma oportunidade em ser editor de uma publicação. Por isso agradeço-lhe porque ganhei bastante experiência e foi graças a ela que hoje lhe digo que encontrei algo melhor. Lembra-se da nossa conversa quando disse que o ordenado seria revisto assim que a nomeação se tornasse oficial? Pois, nunca aconteceu... já lá vai quase 2 anos. Mas nem por isso o trabalho diminuiu.

E sim. Lamento que eu tenha de chegar a este ponto. Vou-me embora para um lugar onde me oferecem melhores perspectivas de carreira. Se vão realmente acontecer? Não sei patrãozinho mas sempre é melhor do que ficar aqui a marinar. E não: o problema não é seu. É mesmo meu porque, aparentemente, não consigo trabalhar para idiotas.


Atentamente

Speedy

sábado, 26 de março de 2011

uma nova vida

Iniciar uma nova etapa profissional é um pouco, a meu ver, como renascer. Como uma nova oportunidade de escolher o que vou ou não dar a conhecer aos meus novos colegas. Por exemplo: quando conheci o Luís, já me encontrava há um ano na minha a-ser-ex-empresa e toda uma imagem já se encontrava instituída. Agora, com a minha entrada num novo mundo, pergunto-me se teria coragem de me assumir perante eles logo desde início? No mínimo poderia usar o anel sem temer sofrer todo um rol de perguntas indiscretas. Ou então, opto por ficar sossegadito e lembrar-me que, cada vez que a vida profissional se torna pessoal, é hora de mudar de emprego.

quinta-feira, 24 de março de 2011

E...

Não tinha mesmo dúvidas: fiquei com o emprego.
Mas amanhã ainda vou ter mais uma reunião com o meu patrão antes de fechar negócio. E o motivo porque está a ser um namoro muito complicado é porque - como tinha dito - a qualidade paga-se... e ele diz não ter possibilidade de a pagar por inteiro, visto a empresa estar a arrancar agora. Pede-me compreensão e espírito de sacrifício porque no futuro serei recompensado. Ele não tem dúvidas no seu projecto. Ele não tem dúvidas nas minhas capacidades, caso contrário não insistiria tanto como fez hoje. E o mais triste, é que eu também acredito na empresa deles. Basicamente terei de dar um valente passo atrás, para que seja possível dar dois à frente daqui a seis meses. E outros dois saltos passado mais seis meses. Claro, se tudo correr de feição para ambas as partes.

Quem me recrutou na empresa onde trabalho actualmente disse-me para arriscar.
O meu namorado lindo disse-me para arriscar.
A minha sócia disse-me para arriscar.
O meu melhor amigo disse-me para arriscar.
A minha mãe disse-me se eu não sou feliz, então que arrisque.

E mais uma vez, cuspo na efectividade (e no ordenado) e vou-me despedir. Se daqui a seis meses este blog não for actualizado, é sinal de que já não tenho dinheiro para pagar a Internet.

terça-feira, 22 de março de 2011

tick tack

Ainda não me saiu da cabeça o sorriso enrascado do meu futuro patrão quando me perguntou que ordenado eu ambicionava. É daquelas perguntas imbecis, altamente constrangedoras, que se fazem em entrevistas de emprego e que podem determinar todo o processo de recrutamento. Eu lancei-lhe um número, ele soltou um sorriso (muito cativante diga-se de passagem) e fez um sinal de aprovação enquanto escrevia o valor no papel. Mas só estivemos em sintonia durante um segundo:

Eu - €€€€...
Ele - Muito bem. Brutos...
Eu - Não não. Líquidos mesmo.
Ele - (inserir sorriso enrascado)

E não julguem que foi um valor exorbitante. O triste é que é um valor bastante justo para as funções a desempenhar. E, claro, a qualidade paga-se. Ontem à noite realizei dois trabalhos-teste para eles em tempo recorde e, modéstia à parte, dúvido que qualquer um dos outros entrevistados chegue sequer aos meus calcanhares. Se não ficar com o lugar, vai tudo resumir-se aos euros.

Aguardo, ansioso, um telefonema.

domingo, 20 de março de 2011

Domingo a norte


Parte do domingo foi passado aqui, dentro do castelo Montemor-o-Velho. Diz a lenda que sob as muralhas encontram-se enterradas duas arcas. A história remonta ao tempo dos mouros, quando a filha do alcaide ousou casar contra a sua vontade. O governador, revoltado, felicitou a filha com uma arca cheia de ouro e outra com peste. Ela, claro, preferiu não arriscar a sorte e fugiu com o amado. E como ninguém se atreveu a abrir as arcas - nem mesmo o pai - as duas acabaram por ser enterradas.