sábado, 4 de fevereiro de 2012

A Tartaruga foi a Barcelona - Parte 3 e prometo que última

Honestamente. Mas assim do fundo do coração. Juro pelos três pastorinhos. Nunca estive numa cidade mais gay friendly do que Barcelona. E já conto com algumas viagens no bucho. Tantos mas tantos casais gay e lésbicos, possivelmente em algumas zonas superiores aos casais hetero, que me fez perceber o quão pequena e retrógrada é Lisboa. Nostra culpa?
Rapazes e raparigas adolescentes, homens e mulheres a segurarem a mão, a darem um abraço ou simplesmente um beijo apaixonado na rua. Quem diz na rua, diz no restaurante. No metro. Numa igreja. Pelas avenidas a aceitação é clara. Restaurantes apenas para casais gays, livrarias especializadas, cabeleireiros e mesmo lojas de roupa. Todo um negócio de nicho (será mesmo?) devidamente anunciado por cartazes, bandeiras, flyers distribuídos pelas esquinas ou mesmo por drag queens vestidas a rigor. A noite, essa, desiludiu-me. Culpa de ser Janeiro, de estar frio e de nós sairmos à noite em dias de semana. Ele queria ir à discoteca. Eu preferi fugir à confusão. Ainda assim experimentámos o Dacksy, o La Chapelle, o People, o Plata e o NightBerry. Uns repetimos na mesma noite. Experimentámos outros que não valem a pena a publicidade. 

E assim foi Barcelona. Para finalizar a trilogia de posts aborrecidos, e para quem de futuro pondere viajar, aconselho que tenham cuidado com as mochilas. Ao que parece, existe uma rede de carteiristas profissionais de mãos delicadas pelas ruas e metro da cidade. Nós aprendemos da forma mais difícil e numa dada noite conhecemos o posto de polícia da Plaza da Catalunya e na manhã seguinte estávamos a tirar uma senha no Consulado Geral de Portugal. Qué suerte!!!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A Tartaruga vai a Barcelona - Parte 2

Quando a Tartaruga chegou a Barcelona, deparou-se com um reino mágico, povoado por fairies (literalmente) e dividido em vários condados. Sobre eles reinava Picasso, Miró, Gaudí e Guardiola. Quatro reinos vizinhos, merecedores de uma deslocação. Reinos ricos, cheios de cores e formas únicas, tesouros intemporais impossíveis de serem apreciados em apenas uma semana. Por isso, diariamente e enquanto se bebericava um Starbucks, era feita uma selecção. Aqui fica um resumo grosseiro. 
Mercado Boqueria

Comecemos pelo reino de Picasso. Rei e Senhor da Cidade Velha, que é atravessada pelo coração turístico da cidade: La Rambla. E agora fica complicado escolher o que não poderia ser ignorado, por isso foi-lhe dedicado três dias. A ordem de visita fica ao critério de cada um. Imperdoável não dar um passeio ao sol no Parc de la Ciutadella e ver depois o Arco do Triunfo. Reservar (imperativo reservar com antecedência) uma visita ao Palau de la Música, visitar Igreja Santa Maria del Mar e lanchar no Mercado Boqueria. Subir ao Miradouro de Colom e descer até às praias. Visitar a Catedral de Barcelona, o Palau Güell e, claro, o Museu Picasso. Se comprarem o cartão barcelona, encontram ainda vários museus com entrada gratuíta que vale a pena a visita como o Museu do Xocolata . E claro, outros edifícios de inspiração gótica e praças de valor histórico. Tudo nas imediações.
Museu Nacional D'Art de Catalunya

Desrespeitei o reino de Miró: Montjuic. Não visitei a Fundação por um incidente chato e acabei apenas por conhecer o Jardim Botânico, o Estádio e Museu Olímpico e o fantástico Museu Nacional D'Art de Catalunya. Com grande pena a Fonte Mágica encontra-se em obras por isso a visita nocturna é... uma perda de tempo. Apenas vale a pena para ver a Plaça d'Espanya iluminada e, se apetecer, subir o elevador da Arena.
Barçaaaaaaaaaaaaaaa

A norte, o reino de Guardiola. Ir a Barcelona e não visitar o estádio pareceu-nos despropositado. Aproveitou-se e além de conhecer o Camp Nou andou-se até ao Palau Reial de Pedralbes, que hospeda três museus.

Uma das muitas fotos... até a bateria falhar
Gaudí, Gaudí, Gaudí. Tudo se resume a Gaudí. O senhor espalhou influências por toda a cidade e o seu toque está patente em vários locais de interesse: sete no total. O maior: Sagrada Família, visita para a qual aconselho o áudio-guia. A norte, o Parque Güell (que acabou por me decepcionar). No Passeig de Gràcia, a avenida mais luxuosa da cidade, encontramos a Casa Milà ou La Pedrera e a Casa Batlló. E não vimos mais nenhum porque já vomitávamos Gaudí por tudo o que era poro.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Tartaruga vai a Barcelona - Parte 1 (porque adorei, até há muito para contar e quero deixar bons conselhos aos Coelhos)

Uma cidade com um pulsar único, cronometrado ao segundo. Vias em que os semáforos ameaçam o vermelho mas que nenhum condutor arrisca ignorar. Regras - convenhamos de cidadania - que até os peões, entre turistas e residentes, cumprem religiosamente. O subsolo é rasgado por inúmeras linhas de metro que te levam a qualquer lugar em poucos minutos. Um sistema impressionante, numa cidade já por si rica em transportes públicos. Pena que as bicicletas espalhadas pela cidade se destinem apenas a residentes. Existem também os Aerobus, autocarros em permanente viagem de ida e volta entre o Aeroporto e a Plaza Catalunya, o centro da cidade. Poupem uma viagem de táxi que rondaria os 30 euros por uma de autocarro que custa pouco mais de cinco euros. Para os preguiçosos, como eu, o meu conselho é escolherem um hotel ao pé das paragens. Do Aerobus e também do metro. A minha escolha recaiu sobre o Hotel Del Comte, um hotel gay friendly no meio do distrito mais rosa de Barcelona. Um hotel com apenas duas estrelas mas com todo o conforto de um hotel da primeira liga. Tomem o pequeno-almoço nas ruas e namorem. O preconceito não tem lugar em Barcelona e os casais andam de mãos dadas e trocam beijos sem receios de esgares e caretas. Numa cidade onde desayunar é afinal esmorzar, logo no primeiro dia nada como comprar o Cartão Barcelona para poder usufruir dos transportes gratuitos, descontos e entradas também grátis em vários pontos de interesse da cidade. Uma cidade em que basta meia hora para se chegar a qualquer sitio. Passeios que, aliás, recomendo vivamente. Afastem-se do metro e apreciem as vistas. Suportem as dores nos pés, pernas e costas e ainda arranjam uma desculpa para uma massagem ao final da tarde. Apreciem também a riqueza arquitectónica e extraordinária organização urbana de Barcelona. Edifícios magníficos que pintam todas as avenidas. Qualquer desses apartamentos parecem, vistos de fora, ideais para iniciar uma vida. De passagem, digo-vos que havia T3 a 700 euros/mês e pela primeira vez coloquei a possibilidade de emigrar. Numa escala de crise, Espanha ainda está melhor do que nós. E pelas ruas, talvez não acabem por ser assaltados... como alguns!!!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Seis dias, Sete Noites

De volta a casa.
Uma semana bem passada que termina, de novo, comigo a dormir sozinho.
Não há coração que resista.

sábado, 28 de janeiro de 2012

alive and kicking

Gostava muito de vos deixar uma foto mas esta merda de computador nao deixa fazer o upload.... nem colocar acentos nas palavras. Continuo por aqui,  em Barcelona, a namorar. Proxima semana a ver se faço um post de jeito. Abraços para todos,

domingo, 22 de janeiro de 2012

Histórias para aquecer o coração



I’d also like to call him my husband. I’m not the biggest fan of the word “partner”: It either means that we run a business together or we’re cowboys. “Boyfriend” seems fleeting, like maybe we met two weeks ago. I’ve been saying “better half” for as long as I’ve been able to. I think it’s a little self-deprecating and clearly defines that we’re in a relationship, but it would be nice to say “my husband.”
 
When Stars Collide, By: Neil Patrick Harris and David Burtka
Out Magazine

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Relações

Engraçadas as relações. Verdadeiros organismos voláteis que se transformam com o passar do tempo. De paixões amorosas a amores apaixonados, ao longo da vida somos infectados por sentimentos especiais e fortes que nos deixam profundamente vulneráveis. Indefesos.
Mas felizes.
O diagnóstico para estes sintomas - que incluem rubor, sonhar acordado e fluxo de sangue no órgão sexual - pode simplesmente ser uma Paixão. A Paixão, ao contrário do Amor, surge intensa e pode ter a esperança de vida de uma simples febre. Se a doença não definhar, os sintomas evoluem. Pior: agravam-se. Desejos de monogamia, tolerância ao hálito matinal e aceitação de que aquela perfeição ambulante é, afinal, imperfeita. Fomos dominados pelo Amor. Normalmente, esta patologia surge quando temos do outro uma visão mais real e menos fantasiosa. Enquanto que a Paixão estimula o nosso lado egoísta e deliciosamente nos desgasta, o amor suprime o Eu e obriga-nos a tornar prioritário o bem-estar do Outro. Uma obrigação inebriante que assumimos de bom grado. O que eu não esperava era que, nesta evolução de estados, surgisse um segundo efeito secundário. A Saudade.
Mas isso fica para uma próxima.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Os cinco arrependimentos na vida

Bronnie Ware era uma enfermeira de cuidados paliativos. Durante anos acompanhou e prestou cuidados de saúde a pessoas que apenas tinham mais algumas semanas de vida. No seu blog, contou a sua experiência e enumerou os arrependimentos mais comuns dessas mesmas pessoas. Um artigo que já deu origem a um livro que pode ser encomendado aqui.

1. Gostava de ter tido a coragem de viver a minha vida, de ser verdadeiro a quem sou e não ao que os outros esperavam de mim.

2. Gostava de não ter trabalhado tanto.

3. Gostava de ter tido a coragem de expressar os meus sentimentos.

4. Gostava de ter mantido contacto com os meus amigos.

5. Gostava de me ter permitido a ser feliz.

Tenho 30 anos e estou a morrer. Não me olhem com essa cara: vocês também já foram mais novos. E infelizmente revejo-me em cada um destes pontos, com maior ou menor peso. Embora nenhum dos cinco arrependimentos seja uma revelação iluminada - acabam todos por ser um lugar-comum - gastamos demasiado tempo a aceitá-los, ou melhor, a pratica-los. São apenas cinco, não é? Começamos por onde?

domingo, 8 de janeiro de 2012

Relembrar 8 de janeiro 2010

Parece que foi ontem. Dois anos passaram desde a aprovação do alargamento do casamento a casais do mesmo sexo. Até à data, e segundo consegui apurar, realizaram-se 324 casamentos gays em Portugal. Um número com tendência de crescimento.




"o valor de uma democracia se mede pela sua capacidade de proteger as minorias e de recusar qualquer imposição baseada em preconceitos maioritários. Não estaremos a reinventar a sociedade, como não a reinventámos quando abolimos a escravatura ou conquistámos o direito de voto para as mulheres. Estaremos sim, como então, a dar continuidade a um projecto civilizacional."


Miguel Vale de Almeida

sábado, 7 de janeiro de 2012

Elementar, meus caros amigos...

Por alguma razão, sempre que Hollywood nos brinda com duas personagens masculinas fortes no mesmo filme, é inevitável não especular se entre as duas personagens existirá algo mais do que uma forte amizade. Temos por exemplo o Batman e o Robin. Ou o Capitão Kirk e Spock. E agora Sherlock e Watson.
Fui à antestreia do novo filme de Guy Ritchie e, por diversas vezes, vi um Sherlock carcumido de inveja por o seu grande amigo ter decidido casar. Vi por diversas vezes uma empatia - íntima e denunciadora - entre a dupla. E vi uma nova leitura de Downey Jr. da personagem criada por Sir Arthur Conan Doyle: um pouco mais polida, ainda que butch, e a disparar gaydars um pouco por todas as salas de cinema mundiais. Um pouco à semelhança do que aconteceu aquando da reinvenção de um pirata por Johnny Depp. A dúvida levou-me a pesquisar e, na verdade, a questão existe: serão Holmes e Watson gays? Serão amigos no armário? É uma questão que certamente não me aborrece e tão pouco me custa imaginar Downey Jr. e Jude Law envolvidos em sexo escaldante, nos intervalos da investigação de um crime qualquer. Talvez venha a acontecer no futuro, caso a Warner decida financiar um terceiro filme da saga. E faço figas para que respeite a obra de Conan Doyle e mate a esposa do Dr. Watson. Sim (se não me engano) isto acontece na literatura e Watson regressa para casa de Sherlock Holmes, onde passam os seus últimos dias juntos. Pode ser que no cinema Watson regresse a precisar de um amigo, de um copo de whiskey e de cafuné...


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Razões porque sou gay II


E ao segundo dia perdi toda a esperança de que este ano iria correr bem.
Depois de Elma Aveiro, numa revista masculina, será sequer possível isto piorar?