O Dia de São Valentim (ou Dia dos Namorados) é hoje um dia puramente comercial. Transformamos-nos num alvo de mensagens publicitárias e somos forçados a expressar o nosso amor. Quase insultuoso quando muitos de nós são solteiros. Para piorar, não somos obrigados a expressar qualquer tipo de amor: somos forçados a manifestar o nosso amor heterossexual. Algo que me aborrece quando, no final do dia, continuo a ser gay.

O amor romântico (modelo ocidental de amor no qual se baseia o casamento e monogamia) não é algo que nasce connosco. É sim algo que nos é impingido pela sociedade desde tenra idade. Encontramos o conceito de "
e viveram felizes para sempre" em todo o lado: nas fábulas, nas canções, nos filmes, na televisão, nas telenovelas, na publicidade, etc. Segundo este conceito de amor romântico, somos incompletos até encontrarmos a nossa alma gémea. A nossa metade da laranja.
Our best half. E aprendemos com os media que para a receita de um amor perfeito, são necessários dois condimentos: um rapaz e uma rapariga. Ora bolas! Tão pequerruchos e já nos vaticinavam a uma vida de solidão.
Mais do que celebrar o Dia dos Namorados, o 14 de Fevereiro deveria ser sim a celebração do Amor. Do Direito a Amar Diferente. Um dia em que ganhávamos a liberdade de expressar o que realmente sentíamos, sem medo de represálias. Um dia em que reescrevíamos os nossos próprios contos de fadas com finais verdadeiramente felizes: comíamos o príncipe e despedíamos a gata borralheira. A sonsa.