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Abstinence,
Be Faithful e
Condom. É a chamada teoria ABC, defendida pelo próprio Papa Bento XVI, que provocou alguma euforia junto dos principais organismos não governamentais mundiais, alguns receios da Igreja e surpreendeu católicos um pouco por todo o mundo. Num livro a ser lançado na próxima terça-feira, que teve como base uma entrevista feita ao Papa, são abordados os principais problemas mundiais. Um deles, o flagelo da SIDA e o preservativo como método de combate à disseminação da doença.
Em conversa com o jornalista que escreveu o livro, "
Light of the World: The Pope, the Church and the Signs of the Times", o Papa Bento XVI reflecte sobre o preservativo, depois da polémica viagem que fez a África. Nos excertos publicados pelo jornal oficial do Vaticano, "L'Osservatore Romano", é publicada a resposta completa do Papa. Mas eu, preguiçoso, recorro à tradução da
Renascença:
"Pode haver casos pontuais, justificados, como por exemplo a utilização do preservativo por um prostituto, em que a utilização do preservativo possa ser um primeiro passo para a moralização, uma primeira parcela de responsabilidade para voltar a desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. Não é, contudo, a forma apropriada para controlar o mal causado pela infecção por HIV. Essa tem, realmente, de residir na humanização da sexualidade"
Pela primeira vez, um Papa, Bento XVI, admitiu o uso do preservativo "em certos casos", "para reduzir os riscos de contaminação", o que aparenta ser uma flexibilização da postura severa da Igreja a respeito do tema. Embora reconheça que foi um grande passo, aqui o Speedy é do contra e não apreciou o exemplo dado pelo Santo Pontífice. Ele exemplificou o uso do preservativo, como último recurso, para os
prostitutos masculinos. Ou seja, os homens que se prostituem e não os homens que recorrem à prostituição.
Ora, num continente onde 61% dos infectados são mulheres, com idades compreendidas entre os 15 e os 25 anos (seis vezes mais susceptíveis de contrair a doença do que os jovens do sexo masculino na mesma faixa etária) de acordo com o Banco Mundial, não creio que sejam elas, numa sociedade onde a emancipação feminina é ainda uma miragem, a contratar prostitutos masculinos para o seu bel prazer levando ao aumento dos casos de SIDA. Penso que o
target imoral, que devia desenvolver uma consciência de que nem tudo é permitido, do Papa era outro... mas resta-me comprar o livro para tirar as dúvidas.