terça-feira, 4 de junho de 2013

Engates normais I

Mea culpa. Confesso: namoro há mais de quatro anos com um rapaz que conheci através de um chat. E, planeou o destino, amamo-nos e já desenhamos planos de um qualquer casamento amaldiçoado pela família e uma co-adoção de um qualquer Santiago ou Eduardo. Mas também admito: os engates naturais dão-me uma tesão tremenda. Ainda esta semana, no calor do meu humilde estabelecimento (apenas porque tenho o ar condicionado avariado), entrou um novo cliente que ainda não conhecia. O rapaz, dois anos mais novo do que eu, estava a trabalhar numa recolha de donativos para uma associação cujo nome não memorizei. Engraçado, de olho claro e com um "monstro" saliente (Monstro: Barriga grande ou cheia.), deu inicio ao seu paleio treinado que durou mais de duas horas. Isto do gaydar é uma coisa engraçada. Eu, que gosto pouco de ser apaparicado, respondia cordialmente como minha mãezinha me educou. E, deixem-me que vos diga, adoro estes engates. Um engate, infelizmente para ele, falhado logo à partida mas que para este post pouco interessa. 

Sempre gostei da naturalidade nos engates homossexuais. Longe dos filtros de um monitor ou de um qualquer bar ou discoteca assumidamente homossexual. Gosto da sedução sem que seja necessário dizer: "Eu também sou gay" mas que simplesmente acontece num ambiente dito normal. Uma corte que segue os seus trâmites, também eles institucionalizados. Sei lá, a troca de elogios mútuos, os sorrisos e olhares envergonhados, a troca de contactos, a marcação de um café e, diria agora o Francisco, a troca de fluídos. Não é por nada que a minha parte preferida de um filme porno seja mesmo o início em que se dá a sedução. O rapaz, depois de fumarmos um cigarro juntos, acabou por convidar-me para ir conhecer o restaurante dele. Convite que aceitei. 

Mas amigo, se por acaso fores meu leitor, lamento mas vou levar companhia.
Ainda me fazes um desconto na conta?

20 comentários:

  1. e lá tiraste o tapete ao moço. classe, eih? :D

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    1. Mas sou solidário Margarida: estou a tentar convencer um amigo meu a ir também. Pode ser que se dê um clique.

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  2. Olha se ele te der desconto leva toda a malta dos blogs :D

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  3. Não lhe disseste que eras casado?

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    1. e perder o alimento para o ego? nah, sou demasiado egocêntrico

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    2. ego rules!! lolol... eu também não digo até verificar que o outro lado já vai com demasiado entusiasmo. Aí sim.

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    3. Compreendemo-nos Silvestre. A conversa estava morninha. Decidi deixar andar

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  4. Ehehehehehhehehehehehehehehe

    Bom jantar e com desconto ;)

    Abraço

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    1. Duvido que me faça o desconto. Ainda vou ter de pagar mais de certeza ehehe

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  5. LOL! :D

    Eu odeio os engates, sejam dentro ou fora do mundo gay. Acredito que o que verdadeiramente vale a pena surge ou cresce com o tempo. :)

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    1. Acredito que não gostes de engates porque te deixam pouco confortável. Mas quando são levados na "desportiva", são bastante prazeirosos (adoro esta palavra =D )

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  6. Postagem muito interessante sobre um assunto em que eu tenho um quase igual modo de pensar.
    Também eu vivo uma relação construída a partir de um chat, que evoluíu num bom sentido e dura há mais de 7 anos, com a substancial diferença de que é demasiado longa a distância entre nós, em contraste com a tua.
    Desde esse momento, deixei completamente qualquer sítio de engate puro, mas, e como tu dizes, às vezes e de uma forma natural "acontecem coisas", ou seja aparecem da tal forma natural, a que ambos apreciamos, certas pessoas... Aqui reajo de forma diferente e ponho logo a situação clara: vivo um relacionamento no qual estou plenamente feliz, mas o ego também precisa de momentos felizes.
    O facto de estar longe podia levar-me a ter sexo esporadicamente, não o procurando, mas aproveitando oportunidades.
    Mas, e não vou ser hipócrita ao dizer que tal nunca aconteceu, nestes mais de 7 anos, se houve algo de sexo com outra pessoa, foi "de raspão", com pessoas totalmente improváveis e não mais que 4/5 vezes.
    Eu "pecador", me confesso...
    Curioso, em qualquer dessas vezes nunca me considerei infiel, pois a minha noção de fidelidade é muito especial e está no coração e na cabeça.
    Estou certo que se houvesse mais proximidade com a pessoa que amo, nem essas 4/5 vezes teria havido.

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    1. Concordo quando dizes que eu poderia ter dito que estava numa relação mas dado estar no meu local de trabalho, não queria desenvolver essa ideia sob risco de ser ouvido. Não encaro a omissão como um acto de traição até porque contei ao meu menino o que se tinha passado. E ele nem me deu importância. De resto, também concordo quando dizes que a verdadeira traição se dá ao nível da cabeça e do coração. Ainda que rejeite, nem considere, a traição de corpo.

      Obrigado pela tua partilha. Poucos o admitiriam.

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    2. Thumbs up para o João.
      Mais valor lhe tenho em consideração.

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  7. Quase todos, com poucas exceções, devemos gostar da sedução... mas, neste caso, do que gostei mais foi da escrita... este post está muito bem escrito! Parabéns.

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    1. *corei* Vindo de ti é obra João. Obrigado pelas palavras simpáticas

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  8. A sedução é um jogo que dá prazer jogar.

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  9. És um teaser, já se viu... mas não tinhas a anilha colocada? Ou isso é catalisador?

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