domingo, 11 de Agosto de 2013

Isto do envelhecer...

Como sabem, ou se apenas agora sintonizou a minha mui modesta estação, iniciei há pouco mais de um ano uma nova página na minha vida: a de ter um negócio em nome próprio. Como isto da crise não está fácil, e eu adoro amealhar, para já encontra-se completamente excluída a possibilidade de contratar um ou uma funcionária. Logo, pego os touros pelos cornos. O mesmo que dizer, lido directamente com os clientes. E não é fácil. Existe sempre aquele, em todo o santo dia, que me provoca uma azia descomunal que nem com gaviscon vai lá. Mas, felizmente, são muito poucos de entre as mais de duas centenas que atendo diariamente. Da minha vasta clientela, habitual, a grande maioria é já reformada. Mas, como tenho a mania dos rótulos, posso dividi-los simplesmente em duas categorias: os que viveram em 'pleno' e os que amarguraram com o passar do tempo. Os felizes conversam, entram a assobiar, partilham momentos da sua vida e conselhos. São, por exemplo, o malandro do alentejano Adriano, com as suas estrofes picantes. Ou a minha Iva que perdeu recentemente o seu "companheiro de vida", palavras dela. Ou o senhor Inácio, que padece de cancro, mas que a rigidez que me cativou. Aprendo as suas manias e gostos e trato-os pelo nome. Já os amargurados carregam nas suas rugas cada pesar da sua vivência e, sinceramente, não tenho interesse algum em tornar-me amigo deles. Cada mágoa ou raiva marca a sua pele e parece que têm gosto em manter a postura fria. Não percebendo que pouco ou nada ganham com isso. Apenas indiferença. A amargura existe, por uma ou outra razão, e noto que azeda com a idade. Mas não tenho pena deles. Tenho sim pena dos meus clientes mais jovens, abaixo dos quarenta anos, pois em alguns já noto os sinais de amargura. Não sei porquê já que cada um lá terá a sua história. Só espero nunca me tornar neles. Sou feliz. Não completamente mas é um trabalho a tempo inteiro. E espero continuar.

sábado, 27 de Julho de 2013

Trá-lá-lá


A ex-namorada que dá os parabéns com quatro dias de antecipação. As várias SMS recebidas de ginásios, ópticas ou lojas de roupa que contrastaram com as dos 'amigos' que preferem a treta do Facebook. Os verdadeiros amigos que optaram pelo telefonema ou estiveram comigo ao dobrar da meia-noite. O almoço preparado pelo namorado e a valente queca com a qual fui presenteado. A família reunida, e não somos poucos, para celebrar mais um ano que, sou sincero, me causa estranheza. 
E é assim... acho que vou manter-me nos 31.

terça-feira, 23 de Julho de 2013

Eu sei que tu sabes que eu sei

Sei o que vais comentar depois de ler este desabafo. Palavras recriminatórias, talvez. Um conselho de vida, já descoberto ou seguido por ti, mas que ainda não sigo. Simplesmente talvez não me faça sentido. Ainda. Mas o episódio, passado há dois dias, continua a ecoar na minha cabeça. Uma eterna surdina que insiste em pesar-me a consciência. O meu namorado passou o fim-de-semana cá em casa. Mais um de entre tantos que já passamos. No final da noite de domingo, tarde, ele descansava no meu sofá. O meu telefone tocou. A minha irmã, que tem um apartamento dois andares abaixo do meu, precisava de um simples utensílio de cozinha. Acedi, naturalmente, a que o viesse buscar. Então fez-se luz, ou mais correcto, escuridão na minha capacidade de julgamento. Pedi ao meu namorado que recolhesse ao quarto. Que se escondesse. Ele compreendeu. Aceitou. Não protestou. Depois não pedi desculpa. Não senti necessidade. Mas senti vergonha. Praticamente cinco anos e continuamos neste jogo infantil. A minha irmã até já sabe. Até já o conheceu e por diversas vezes cruzamo-nos no corredor ou partilhamos o elevador a horas impróprias para visitas de simples amigos. Mas tê-los declaradamente na minha sala, no meu próprio refúgio, deixou-me ansioso. E protelou-se o que já é óbvio.

quarta-feira, 10 de Julho de 2013

Isto da religião

A pedido dele, que encontra mais respostas na religião do que eu, fomos a Fátima para uma limpeza de alma. Passeio de domingo calmo que aguardava com alguma expectativa, pois há muitos anos que não visitava o lugar de peregrinação de excelência de muitos devotos. Mas confesso que fui mais como curioso do que propriamente crente. Embora seja crismado, objectivo de adolescência que fiz questão de fazer, há muito que não me identifico com a religião. Não quero dizer com isto que não acredite em algo superior a mim. Até porque sinto uma alma, ou espírito se preferirem, dentro do meu corpo. Mas a verdade é que fui para observar os outros. Fátima pareceu-me um local completo, cheio de 'atracções' para cada necessidade. A Capela, a Basílica, a estátua erigida a João Paulo II, a compra das velas, a queima das velas, o pagamento de promessas de joelhos, um sem número de locais para deixar donativos... enfim, todo um mundo que me causou alguma estranheza. Mas o que realmente me deixou pensativo foi exactamente a atmosfera pesada que se vivia no Santuário. Senti desespero praticamente em todos os que me rodeavam. Senti que aquela era a sua última hipótese para conseguirem o que quer que seja. Senti que o que deveria ser um lugar feliz e seguro (não será isto que Deus, nosso Pai, desejaria para os seus filhos?!), era um poço de angústia. Mas o certo é que o meu namorado voltou de alma fresca, mais leve e calmo. Já eu voltei desidratado e ligeiramente bronzeado.

sexta-feira, 28 de Junho de 2013

Simplesmente... épico

Capa do New Yorker da próxima semana, criada pelo artista Jack Hunter

O Egas e o Becas, talvez um dos casais 'homossexuais' mais famosos da cultura pop, protagonizam a capa do New Yorker que assinala o fim do DOMA. "A Moment of Joy", indeed.

segunda-feira, 10 de Junho de 2013

Um perfil intimista de Henrique Feist


In Revista nº.8, Expresso, Junho 2013
Artigo Completo Aqui

"Quero ficar com ele o resto da vida. Quis casar-me para garantir que, se morrer antes dele, tudo o que tenho será seu por direito. E quis ter o gosto de poder chamar-lhe 'meu marido'"

...e é assim tão simples.

quinta-feira, 6 de Junho de 2013

Desafio Foto-Literário


Anda por aí um desafio que decidi aceitar. Começou, acho eu, por aqui, seguiu para aqui e o último que vi foi mesmo aqui. A ideia passa por ilustrar o nosso blogue através de um livro e, como sou previsível, claro que o meu teria obrigatoriamente de ter uma tartaruga. Sábia por sinal. Comprei este livro ainda antes de iniciar o blogue mas tem sido uma fonte de reflexão nestes últimos anos. Não fosse o tempo uma constante preocupação minha. O livro, assinado por José Luís Trechera, procura ensinar "a olhar e a viver".

"Na cultura do primeiro mundo ser lento é sinónimo de ineficaz, inútil e ‘tolo’. Impõe-se a rapidez e a impaciência, tudo tem de estar disponível ‘na hora’. Passamos o tempo a correr de um lado para o outro. Torna-se imperativo a rapidez de uma reflexão, mas em certas ocasiões vale a pena trocar o relógio pela bússola para se encontrar o Norte". 

Já agora, e para os mais atentos deste meu aquário, de volta e meia, recorria a letras de músicas que gosto para um pequeno post a que chamei "Sabedoria da Tartaruga". Normalmente, são pequenas fórmulas que retratam a minha própria forma de pensar. Como por exemplo:

Outras aqui.

Aguardo as vossas escolhas literárias nos vossos blogues.

quarta-feira, 5 de Junho de 2013

Engates normais II

Ainda no seguimento do meu último desabafo, dei por mim a pensar na minha experiência enquanto alvo de engate. Não pensem que foram muitos até porque sou um chavalo normal - embora incrivelmente adorável - e, como sabem, estou numa relação longa. Mas a abordagem do outro dia levou-me a encontrar um padrão em comparação às demais e concluir que existe um verbo que é excessivamente usado nesta lenga-lenga do get lucky: "Ter" invés do "Ser". Isto é, e sem querer entrar no universo dos blogues sob a iluminação da Carrie Bradshaw, a conversa do interlocutor mergulha, hoje em dia, essencialmente sobre o "Eu tenho" do que propriamente "Eu Sou". 

O rapaz do outro dia, que me pareceu ser de resto bastante simpático, não hesitou a enumerar a um desconhecido (despedimo-nos sem ele sequer saber o meu nome) os seus sucessos profissionais, a dificuldade que é gerir uma equipa de dezassete pessoas, a elevada conta que paga de electricidade, o condomínio privado onde vive, o dinheiro que tinha na carteira... enfim, toda uma série de qualidades conquistadas (merecidamente, não duvido) ao contrário de me contar, por exemplo, o que gosta de fazer nos tempos livres.

Dei por mim a pensar no passado e notei que já me tinha acontecido mais do que uma vez. Elaborei mesmo duas ou três teorias, as quais não vou desenvolver sob risco de ser injusto ao generalizar. Prefiro pensar que talvez eu tenha ar de pobrezinho e que existem algumas almas caridosas que vêem em mim a oportunidade de me transformar de abóbora numa princesa. Enfim... como se precisasse.

Mas nem só de cifrões se pautou a conversa. Ele teve a oportunidade de discutir o panorama do teatro e televisão portuguesa comigo, vou-me lá lembrar porquê. E cometeu A gaffe letal. "O Nicolau Breyner é o melhor actor português", disse convicto. Páh... foda-se mas não.

terça-feira, 4 de Junho de 2013

Engates normais I

Mea culpa. Confesso: namoro há mais de quatro anos com um rapaz que conheci através de um chat. E, planeou o destino, amamo-nos e já desenhamos planos de um qualquer casamento amaldiçoado pela família e uma co-adoção de um qualquer Santiago ou Eduardo. Mas também admito: os engates naturais dão-me uma tesão tremenda. Ainda esta semana, no calor do meu humilde estabelecimento (apenas porque tenho o ar condicionado avariado), entrou um novo cliente que ainda não conhecia. O rapaz, dois anos mais novo do que eu, estava a trabalhar numa recolha de donativos para uma associação cujo nome não memorizei. Engraçado, de olho claro e com um "monstro" saliente (Monstro: Barriga grande ou cheia.), deu inicio ao seu paleio treinado que durou mais de duas horas. Isto do gaydar é uma coisa engraçada. Eu, que gosto pouco de ser apaparicado, respondia cordialmente como minha mãezinha me educou. E, deixem-me que vos diga, adoro estes engates. Um engate, infelizmente para ele, falhado logo à partida mas que para este post pouco interessa. 

Sempre gostei da naturalidade nos engates homossexuais. Longe dos filtros de um monitor ou de um qualquer bar ou discoteca assumidamente homossexual. Gosto da sedução sem que seja necessário dizer: "Eu também sou gay" mas que simplesmente acontece num ambiente dito normal. Uma corte que segue os seus trâmites, também eles institucionalizados. Sei lá, a troca de elogios mútuos, os sorrisos e olhares envergonhados, a troca de contactos, a marcação de um café e, diria agora o Francisco, a troca de fluídos. Não é por nada que a minha parte preferida de um filme porno seja mesmo o início em que se dá a sedução. O rapaz, depois de fumarmos um cigarro juntos, acabou por convidar-me para ir conhecer o restaurante dele. Convite que aceitei. 

Mas amigo, se por acaso fores meu leitor, lamento mas vou levar companhia.
Ainda me fazes um desconto na conta?

segunda-feira, 3 de Junho de 2013

Da Feira do Livro

Um ano mais fraco e "oportunidades" duvidosas, tendo em conta a maioria dos bolsos portugueses. Ainda assim, trouxe o Haruki, o Mia e o Paul para casa para uma valente orgia. Dinheiro que foi directamente para a Leya, esses malvados monopolistas que têm os meus autores preferidos no portfólio.


sábado, 1 de Junho de 2013

Buuuuuu


Era "natural" que voltasse e para já agradeço os vossos e-mails. Ainda que não tenha respondido a todos.
Desculpem lá qualquer coisinha.