domingo, 7 de dezembro de 2014

Quando a Justiça é homofóbica

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Manuel Luís Goucha, em entrevista à revista VIP, garantiu que vai processar o Estado Português. Isto depois de uma juíza ter rejeitado a queixa do apresentador e ter validado o programa Cinco Para a Meia Noite quando este atribuiu o Prémio de Melhor Apresentadora a Manuel Luís Goucha.
Terá dito a Juíza que o Goucha "mete-se a jeito de piadas", nomeadamente "porque tem atitudes e roupas coloridas, próprias do universo feminino". Podem não morrer de amores pelo apresentador, como eu, mas é inaceitável que em pleno século XXI, num Estado de Direito, uma representante institucional delibere com base nos seus próprios juízos e preconceitos. Quase jocoso diria eu. Responde o Goucha que até pode perder, mas que tem direito à "indignação perante este tipo de Justiça que é preconceituosa". Um senhor de classe e de respeito. Se fosse eu mandava a Juíza para o caralho. Sorry my french.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Sobre os mamilos da Madonna

Não compreendo a polêmica em torno da última produção fotográfica da Madonna. C'mon... Trata-se da Madonna. Aquele ícone da cultura pop que ao longo destes últimos (mesmos muitos!) anos (eu diria demasiados!!!) tudo o que tem feito é chocar, mudar mentalidades e ultrapassar o socialmente correcto. Se fosse alguém mais mundano, tipo Mary Poppins ou o Luís Represas, aí sim: vomitava as entranhas. Ok. Tem 56 anos. Mas está fucking great. Quantas avós conhecem com um par de mamilos gulosos como aqueles? Capazes de alimentar muita boa gente... Ou mesmo de vazar uma vista.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Sem nada a esconder

Não se convençam do contrário: o ginásio é indigesto. Ainda assim admiro os desequilibrados (como eu!!) que os frequentam pois não é definitivamente um sitio para mentes sãs. E para o provar nem preciso de ir mais longe do que o ambiente vivido nos balneários. Masculinos claro. 
Sou gay. Não me considero pudico. Gosto de pilas. Mas odeio, muito sinceramente, ODEIO ver as salsichas a chocalhar de um lado para o outro. Qual a necessidade que os homens têm de andar a pavonear-se, qual passarela qual quê, perante, lá está, outros homens? Se são heteros, o que é que tentam provar? Não há nada pior que ver velhos a secar os tomates nos secadores automáticos. Ou os gajos empoleirados nos bancos enquanto secam o rego ou passam creme no corpo ao nível da minha cabeça. Não frequento um ginásio de vau de escada. É uma cadeia de ginásios com alguma reputação e a minha última hipótese de acabar com os meus biceps de galinha. Odeio ter de desviar os olhos enquanto os homens se comportam como se estivessem em casa. Ponham uma toalha porra!!!

domingo, 30 de novembro de 2014

If I am silent, then I am not real

As razões que levam ao abandono de um blog já as conhecem. Nem me vou alongar. Mais curiosas podem ser as razões que levam ao seu reaparecimento. Nunca me desliguei completamente deste espaço. De volta e meia, assolado por uma estranha nostalgia, seguia o link e lia o que havia escrito. Alguns posts, mais intimistas, perderam sentido. Outros ainda o têm. Ainda assim optei  não apagar o Hammering pois sabia, que a dada altura, voltaria. Voltaria a escrever para mim, pois um blog acaba por ser isso mesmo, um espaço pessoal. Mas também um lar que rapidamente se enche de convidados. E foi precisamente o lado "público" que fez (re)nascer o meu blog. É estranho mas senti a vossa falta. Tanto dos rostos já conhecidos como daqueles que se mantêm no anonimato. Saudades de escrever. De vos visitar. De comentar as vossas histórias.

Volto. Contente da vida. Porque em silêncio, não existo.

domingo, 11 de agosto de 2013

Isto do envelhecer...

Como sabem, ou se apenas agora sintonizou a minha mui modesta estação, iniciei há pouco mais de um ano uma nova página na minha vida: a de ter um negócio em nome próprio. Como isto da crise não está fácil, e eu adoro amealhar, para já encontra-se completamente excluída a possibilidade de contratar um ou uma funcionária. Logo, pego os touros pelos cornos. O mesmo que dizer, lido directamente com os clientes. E não é fácil. Existe sempre aquele, em todo o santo dia, que me provoca uma azia descomunal que nem com gaviscon vai lá. Mas, felizmente, são muito poucos de entre as mais de duas centenas que atendo diariamente. Da minha vasta clientela, habitual, a grande maioria é já reformada. Mas, como tenho a mania dos rótulos, posso dividi-los simplesmente em duas categorias: os que viveram em 'pleno' e os que amarguraram com o passar do tempo. Os felizes conversam, entram a assobiar, partilham momentos da sua vida e conselhos. São, por exemplo, o malandro do alentejano Adriano, com as suas estrofes picantes. Ou a minha Iva que perdeu recentemente o seu "companheiro de vida", palavras dela. Ou o senhor Inácio, que padece de cancro, mas que a rigidez que me cativou. Aprendo as suas manias e gostos e trato-os pelo nome. Já os amargurados carregam nas suas rugas cada pesar da sua vivência e, sinceramente, não tenho interesse algum em tornar-me amigo deles. Cada mágoa ou raiva marca a sua pele e parece que têm gosto em manter a postura fria. Não percebendo que pouco ou nada ganham com isso. Apenas indiferença. A amargura existe, por uma ou outra razão, e noto que azeda com a idade. Mas não tenho pena deles. Tenho sim pena dos meus clientes mais jovens, abaixo dos quarenta anos, pois em alguns já noto os sinais de amargura. Não sei porquê já que cada um lá terá a sua história. Só espero nunca me tornar neles. Sou feliz. Não completamente mas é um trabalho a tempo inteiro. E espero continuar.

sábado, 27 de julho de 2013

Trá-lá-lá


A ex-namorada que dá os parabéns com quatro dias de antecipação. As várias SMS recebidas de ginásios, ópticas ou lojas de roupa que contrastaram com as dos 'amigos' que preferem a treta do Facebook. Os verdadeiros amigos que optaram pelo telefonema ou estiveram comigo ao dobrar da meia-noite. O almoço preparado pelo namorado e a valente queca com a qual fui presenteado. A família reunida, e não somos poucos, para celebrar mais um ano que, sou sincero, me causa estranheza. 
E é assim... acho que vou manter-me nos 31.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Eu sei que tu sabes que eu sei

Sei o que vais comentar depois de ler este desabafo. Palavras recriminatórias, talvez. Um conselho de vida, já descoberto ou seguido por ti, mas que ainda não sigo. Simplesmente talvez não me faça sentido. Ainda. Mas o episódio, passado há dois dias, continua a ecoar na minha cabeça. Uma eterna surdina que insiste em pesar-me a consciência. O meu namorado passou o fim-de-semana cá em casa. Mais um de entre tantos que já passamos. No final da noite de domingo, tarde, ele descansava no meu sofá. O meu telefone tocou. A minha irmã, que tem um apartamento dois andares abaixo do meu, precisava de um simples utensílio de cozinha. Acedi, naturalmente, a que o viesse buscar. Então fez-se luz, ou mais correcto, escuridão na minha capacidade de julgamento. Pedi ao meu namorado que recolhesse ao quarto. Que se escondesse. Ele compreendeu. Aceitou. Não protestou. Depois não pedi desculpa. Não senti necessidade. Mas senti vergonha. Praticamente cinco anos e continuamos neste jogo infantil. A minha irmã até já sabe. Até já o conheceu e por diversas vezes cruzamo-nos no corredor ou partilhamos o elevador a horas impróprias para visitas de simples amigos. Mas tê-los declaradamente na minha sala, no meu próprio refúgio, deixou-me ansioso. E protelou-se o que já é óbvio.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Isto da religião

A pedido dele, que encontra mais respostas na religião do que eu, fomos a Fátima para uma limpeza de alma. Passeio de domingo calmo que aguardava com alguma expectativa, pois há muitos anos que não visitava o lugar de peregrinação de excelência de muitos devotos. Mas confesso que fui mais como curioso do que propriamente crente. Embora seja crismado, objectivo de adolescência que fiz questão de fazer, há muito que não me identifico com a religião. Não quero dizer com isto que não acredite em algo superior a mim. Até porque sinto uma alma, ou espírito se preferirem, dentro do meu corpo. Mas a verdade é que fui para observar os outros. Fátima pareceu-me um local completo, cheio de 'atracções' para cada necessidade. A Capela, a Basílica, a estátua erigida a João Paulo II, a compra das velas, a queima das velas, o pagamento de promessas de joelhos, um sem número de locais para deixar donativos... enfim, todo um mundo que me causou alguma estranheza. Mas o que realmente me deixou pensativo foi exactamente a atmosfera pesada que se vivia no Santuário. Senti desespero praticamente em todos os que me rodeavam. Senti que aquela era a sua última hipótese para conseguirem o que quer que seja. Senti que o que deveria ser um lugar feliz e seguro (não será isto que Deus, nosso Pai, desejaria para os seus filhos?!), era um poço de angústia. Mas o certo é que o meu namorado voltou de alma fresca, mais leve e calmo. Já eu voltei desidratado e ligeiramente bronzeado.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Simplesmente... épico

Capa do New Yorker da próxima semana, criada pelo artista Jack Hunter

O Egas e o Becas, talvez um dos casais 'homossexuais' mais famosos da cultura pop, protagonizam a capa do New Yorker que assinala o fim do DOMA. "A Moment of Joy", indeed.